Escolas, Segurança Social e Finanças: os serviços mais afetados pela greve

Escolas, Segurança Social e Finanças: os serviços mais afetados pela greve

  • 17/04/2026 06:14
  • Redação

De auscultadores na cabeça, como que a servir de bandolete, Fabiana era a única aluna que, pouco antes das oito da manhã, está à porta da Secundária de Gil Vicente, à Graça, em Lisboa. Àquela hora, é habitual estarem dezenas de alunos à espera, para mais um dia de aulas. Esta manhã, mais parecia um deserto.

Desde dia 15 que, numa vitrine no exterior, junto á entrada, a direção da escola informou os pais de que tinha havido um pré-aviso de greve e que seriam expectáveis efeitos da paralisação. Por isso, houve muitos que decidiram não aparecer.

Um ou outro carro lá parava, com os pais a levar os filhos à escola, para rapidamente perceberem que não havia aulas. Não só pela falta de alunos àquela hora (ainda que tivessem chegado mais uns quantos) mas também porque uma funcionária já tinha colocado junto ao portão de acesso, presa com fita-cola, uma folha A3, na horizontal, onde se explicava que devido à greve, pelo menos durante o período da manhã não havia aulas.

"À tarde logo se vê", suspirava a funcionária, admitindo que o mais certo era a escola estar fechada todo o dia. "Mas vão dando uma olhadela no site da escola, que a informação será atualizada, se se justificar", aconselhava.

Abriram à hora prevista, e lá entraram não só os utentes com consulta marcada, mas também os que vinham fazer análises. No balcão de atendimento estavam abertos apenas dois dos seis "guichets" existentes.

"Está a funcionar como em outros dias", garantia António Santos, que apoiado numa bengala e já de resultados de análises nas mãos, aguardava para os poder mostrar à médica.

Talvez a situação seja diferente, de tarde, já que algumas funcionárias admitiram que, à hora do almoço, entravam em greve para poderem participar na manifestação.

Todos foram recebendo senha, á medida que a fila se ia reduzindo, e eram atendidos pelos serviços onde, aparentemente, não houve adesão à greve.

Imigrantes, sobretudo, era o que mais havia numa outra fila, à porta da Loja do Cidadão do Saldanha. Os primeiros da fila já tinham deitado no lixo as caixas de cartão que lhes serviram de colchão, para serem os primeiros a ser atendidos.

"Difícil, difícil", dizia Ibrahim, um dos primeiros da fila, que depois de puxar de uma garrafa de água, que despejou nas mãos para lavar a cara, ajeitou o casaco e verificou mais uma vez os documentos que pretendia apresentar na Segurança Social. Só que como ele, muitos outros deram com o nariz na porta.

Poucos minutos antes das nove, a Loja lá abriu, mas tanto os serviços da Segurança Social como das Finanças estão encerrados, todo o dia.

Durante toda a noite, a recolha do lixo na cidade foi feita, praticamente na totalidade.

"Só 5 por cento das rondas não foram feitas", referia às primeiras horas da manhã o responsável pela organização das rondas durante a noite na estação de recolha dos Olivais. O que se confirma, já que na maioria da cidade, eram poucos ou nenhuns os caixotes por recolher.

  • Fonte: Rádio Renascença
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