Paquistão escolta negociadores iranianos após receio de ataque israelita
- 17/04/2026 08:11
- Redação
A Força Aérea do Paquistão lançou uma operação de grande envergadura para escoltar os negociadores iranianos de regresso a casa, após conversações de paz inconclusivas com os Estados Unidos no fim de semana passado, avança a agência Reuters.
De acordo com duas fontes paquistanesas com conhecimento direto da operação, citadas pela agência de notícias, foram mobilizados cerca de duas dezenas de caças, bem como um Sistema Aerotransportado de Alerta e Controlo (AWACS), para garantir a segurança da delegação iraniana na viagem de regresso a partir de Islamabad.
Uma dessas fontes acrescentou que o dispositivo poderá repetir-se em futuras rondas negociais, “caso os iranianos o solicitem”; de outro modo, explicou, “os aviões paquistaneses iriam recebê-los no espaço aéreo do Paquistão”.
Segundo fontes envolvidas nas negociações, a decisão de avançar com a escolta surgiu após preocupações manifestadas pela delegação iraniana quanto à sua segurança.
Um diplomata regional afirmou que Teerão levantou a possibilidade de uma ameaça apenas em termos cautelares, descrevendo-a como “hipotética”. Ainda assim, o alerta foi levado a sério. Como resumiu uma fonte de segurança, “quando as negociações fracassaram, os iranianos ficaram receosos de que as coisas não tivessem corrido bem” e passaram a temer que “poderiam ser alvo de um ataque”.
A missão envolveu meios significativos da aviação paquistanesa, incluindo aeronaves J-10 de fabrico chinês.
Segundo uma fonte ouvida pela Reuters, “esta foi uma missão operacional de grande envergadura, se a olharmos do ponto de vista de um piloto”.
Outra fonte confirmou que a proteção se estendeu até território iraniano: “Acompanhámo-los até Teerão. A segurança deles era da nossa responsabilidade, mesmo para além do tempo que passaram aqui”.
A delegação iraniana era liderada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros Abbas Araqchi e pelo presidente do Parlamento Mohammad Baqer Qalibaf, antigo oficial militar e piloto.
Fontes de segurança indicaram que o pedido — formal ou não — de escolta ultrapassou largamente os procedimentos habituais. Um diplomata acrescentou que os iranianos não excluíram “a possibilidade de Israel poder até atacar a aeronave”, o que levou o Paquistão a insistir na proteção.
O clima de incerteza foi agravado por declarações recentes de líderes internacionais. O primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu afirmou que “não emitiria apólices de seguro de vida para nenhum dos líderes da organização terrorista”, acrescentando que não pretende “fornecer aqui um relatório exato sobre o que estamos a planear”.
Apesar do impasse — nas negociações em que participou também o vice-presidente JD Vance — fontes diplomáticas indicam que o diálogo continua. Trump afirmou que a guerra “deveria estar a terminar muito em breve”, admitindo novas conversações em Islamabad já este fim de semana.