Siza Vieira: "Já não nos livramos do impacto negativo, mas podemos evitar uma tensão inflacionista mais significativa"
- 17/04/2026 12:01
- Redação
Aí está a notícia que os mercados, e a economia mundial, mais desejavam: o Irão anunciou a reabertura completa do Estreito de Ormuz à navegação comercial durante o cessar-fogo, já em vigor com os EUA. Donald Trump confirmou a informação nas redes sociais, num post que termina com a palavra "Obrigado", seguida de um ponto de exclamação.
O efeito fez-se sentir de imediato no preço do petróleo. A meio da tarde, o barril de Brent, que serve de referência a Portugal, já estava a ser negociado a menos de 88 dólares, refletindo uma queda de quase 12%.
"Nós estamos aqui a ver movimentos que são feitos por 'traders'. Em qualquer caso, mesmo que a cessação das hostilidades se venha a consolidar e que o Estreito de Ormuz venha a ser reaberto à circulação de forma mais permanente, já não estamos livres de um impacto significativo desta circunstância sobre os preços em toda a cadeia de valor. Vai demorar a retomar a produção que foi, entretanto, afetada por ataques a infraestruturas, vai demorar a repor a circulação completa", disse Pedro Siza Vieira.
Por agora, a boa notícia, acrescenta, é que "se isto se normalizar não vai haver uma subida muito mais significativa dos preços do petróleo". Ainda assim, o antigo ministro faz notar que "90 dólares por barril, um pouco menos, é um preço quase 50% acima daquele que tínhamos antes do início da guerra".
"Já não nos livramos do impacto negativo que a condução da guerra até ao momento tem tido, mas podemos evitar uma crise maior e uma tensão inflacionista mais significativa", afirmou Pedro Siza Vieira.
Como olha para a notícia que marca este dia, a reabertura total do Estreito de Ormuz já anunciada pelo Irão e confirmada por Donald Trump?
Olho, obviamente, como uma boa notícia que temos de saudar. É desde logo uma boa notícia porque os desgraçados do Líbano, que estavam a ser bombardeados por Israel, tiveram agora um momento de alívio, mas também oferece uma perspetiva de que a reabertura do Estreito de Ormuz possa ser importante e que as condições de mercado se possam vir minimamente a normalizar e, por isso, imediatamente, os preços refletem essa perspetiva. Em qualquer caso, faço notar que 90 dólares por barril, um pouco menos, que é aquilo que neste momento está a fazer, é um preço quase 50% acima daquele que tínhamos antes do início da guerra.
É uma reação quase conjuntural, ao minuto. Seria expectável que assim acontecesse? Já houve decisões em sentidos opostos: já houve um anúncio de reabertura que, depois, afinal, não aconteceu. Há agora uma reabertura total anunciada pelo Irão. Seria expectável que a reação fosse imediata?
Seria expectável. Nós estamos aqui a ver movimentos que são feitos por 'traders'. Em qualquer caso, mesmo que a cessação das hostilidades se venha a consolidar e que o Estreito de Ormuz venha a ser reaberto à circulação de forma mais permanente, já não estamos livres de um impacto significativo desta circunstância sobre os preços em toda a cadeia de valor. Porque sabemos que vai demorar a retomar a produção que foi, entretanto, também afetada por ataques a infraestruturas, vai demorar a repor a circulação completa, mas aquilo que podemos supor é que, se isto se normalizar, não vai haver uma subida muito mais significativa dos preços do petróleo.
Isto para a economia portuguesa, tal como para as restantes economias do mundo, é a melhor das notícias...
Sim. Vamos ver, o FMI (Fundo Monetário Internacional) atualizou recentemente as suas perspetivas económicas para este ano, incluindo para o nosso país. E aquilo que antecipou foi uma quebra do crescimento da economia e o aumento da inflação, e este era o cenário base, que assumia uma cessação das hostilidades e a reabertura do estreito a muito breve trecho. Esses choques não serão permanentes, e isso é uma boa notícia. Já não nos livramos do impacto negativo que a condução da guerra até ao momento tem tido, mas podemos evitar uma crise maior e uma tensão inflacionista mais significativa.