Praias. Gasta-se mais dinheiro a recuperar cadáveres do que se gastaria na segurança

Praias. Gasta-se mais dinheiro a recuperar cadáveres do que se gastaria na segurança

  • 18/04/2026 03:46
  • Redação

A necessidade de garantir vigilância nas praias portuguesas ao longo de todo o ano voltou ao debate após as mortes registadas durante o período da Páscoa.

O presidente da Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (Fepons), Alexandre Tadeia, defende que a prevenção deve substituir a lógica atual, limitada à época balnear, alertando que o custo da inação é superior ao investimento em segurança.

A ideia de que não é necessário manter vigilância fora da época balnear é considerada ultrapassada. “Isso poderia fazer sentido em 1959, quando este modelo foi criado. Hoje em dia, já não corresponde à realidade”, acrescentou.

Durante as duas semanas da Páscoa, apesar das mortes registadas, vários salvamentos foram realizados por dispositivos já existentes em algumas praias. “Foi uma tragédia, mas não foi pior porque estes meios fizeram muita diferença”, destacou.

Ainda assim, a implementação destes sistemas continua a depender da iniciativa das autarquias. Embora os municípios possam solicitar o alargamento da época balnear, poucos o fazem.

São menos de 10 as câmaras municipais que em todo o país tem dispositivos de segurança nas praias durante todo o ano.

Para este especialista, a solução passa por tornar a assistência obrigatória. “Isto só vai acontecer com obrigatoriedade legal”, defende.

Os dados do Observatório do Afogamento reforçam a urgência da medida, ao mostrarem que há mortes nas praias portuguesas em todos os meses do ano.

Entre os exemplos positivos apontados, está a Nazaré, onde foi implementado um sistema de vigilância permanente. “Desde que existe um dispositivo durante todo o ano, deixaram de existir mortes na praia da Nazaré”, referiu Alexandre Tadeia, destacando a presença contínua de nadadores-salvadores, torre de vigilância e meios, como uma moto-quatro.

O especialista defende que este modelo deve ser replicado a nível nacional, com dispositivos ajustados a cada época, à semelhança do que acontece no combate aos incêndios.

  • Fonte: Rádio Renascença
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