Presidente da ENSE admite menor qualidade nas bombas low cost, mas não é um “problema”
- 18/04/2026 07:00
- Redação
O Irão anunciou esta sexta-feira o desbloqueio do Estreito de Ormuz e o preço do barril de petróleo reagiu de imediato em baixa. No entanto, é "prematuro" respirar de alívio, acredita o presidente da Entidade Nacional para o Sector Energético (ENSE).
"Nas entidades independentes ou low cost, muitas vezes a estrutura de controlo é mais débil. Por isso, a fiscalização pública é ainda mais relevante”, defende.
O presidente da ENSE também considera que este é um mercado “altamente especulativo” e que a guerra no Médio Oriente ainda não está resolvida. Além disso, os preços vão levar “meses” a estabilizarem, após a conclusão do conflito.
“No sector petrolífero, ao contrário de muitos outros sectores, as dinâmicas são robustas. São meses normalmente até estabilizar”, explica.
O representante descreve em números o impacto desta guerra e analisa o peso do Estreito de Ormuz no mercado petrolífero.
O presidente da entidade fiscalizadora explica que a reserva nacional garante atualmente 82 dias de consumo energético, depois de o governo ter libertado o equivalente a 10 dias para o mercado, em resposta ao apelo da Agência Internacional de Energia.
Alexandre Fernandes assegura ainda que, ao contrário do que foi noticiado, a reserva estratégica inclui jet fuel, o combustível utilizado pelos aviões, e desvaloriza receios de uma eventual rutura. “O número de dias de jet fuel é normal, não há aqui nenhuma questão fora do habitual”, garante.
Apesar dos postos de abastecimento precisarem de um reforço na fiscalização, não considera que esteja em causa a qualidade do combustível low cost. “Das amostras que fizemos até agora, há mais problemas nas independentes do que nas grandes operadoras, mas não é um problema generalizado”, garante.
No último ano, a ENSE realizou quase 1500 ações de fiscalização e registou mais de 900 infrações, puníveis com coimas. Desde o ataque ao Irão, já foram fiscalizados cerca de 300 postos de abastecimento.
“Nós ficamos muito curtos quando falamos em menos de duas centenas de oleodutos (em Portugal). A nossa relação com Espanha, normalmente, é de um para cinco”, diz.
O presidente da ENSE não considera um problema a única refinaria nacional passar a ser gerida por espanhóis, na sequência da fusão da Galp com a Moeve. Pelo contrário, espera que o negócio baixe os preços finais.
Alexandre Fernandes fala ainda dos desafios do armazenamento energético e do processo de transição energética. O crescimento dos veículos elétricos em circulação exige uma adaptação mais rápida de infraestruturas, sobretudo nos grandes centros urbanos, e a adaptação da rede elétrica.