João Lourenço pede ao Papa que seja "construtor de pontes" e apela à abertura do Estreito de Ormuz
- 18/04/2026 13:43
- Redação
Presidente angolano pede ao Papa Leão XIV continue a desempenhar "um papel de construtor de pontes e de busca de concórdia e entendimento entre os homens".
No seu discurso de boas-vindas ao Papa que vai estar no país nos próximos quatro dias; João Lourenço falou da probabilidade de agravamento dos conflitos" e apelou ao fim definitivo da guerra e à abertura do estreito de Ormuz pela via negocial".
“Apelamos ao fim definitivo da guerra, à abertura do Estreito de Ormuz pela via negocial e ao estabelecimento de uma paz duradoura na região. Face à probabilidade de agravamento dos conflitos que nos aproxima cada vez mais do abismo, o mundo apela à Vossa Santidade para que do alto da Sua Autoridade Moral continue a desempenhar um papel de construtor de pontos, de apaziguamento de espíritos, de resgate dos valores humanistas, de busca da concórdia e do entendimento entre os homens”, referiu.
“É urgente que todos os estadistas influentes e figuras públicas, com reconhecida Autoridade Moral, atuem conjuntamente para assegurar que nas relações internacionais a justiça e o diálogo prevaleçam sobre o uso da força”, acrescentou.
João Lourenço disse que se vive “um momento perigoso” por causa dos conflitos que proliferam por todos os continentes, e criticou "a corrida desenfreada às matérias-primas, aos recursos energéticos, aos recursos minerais e outros tomados pela força das armas dos exércitos mais poderosos do mundo contra países soberanos”.
“O comércio internacional tem regras bem estabelecidas que, uma vez cumpridas, as empresas e os estados através de contratos e de acordos podem ter acesso aos recursos que precisam para a satisfação das suas necessidades sem que tenham de recorrer à guerra. Vive-se um momento perigoso com os conflitos que se proliferam por todos os continentes. O Medio Oriente, berço do cristianismo, do islão e do judaísmo e de grandes civilizações de quem a humanidade tem muito o que agradecer, devia ser uma zona de paz, de concórdia e de fraternidade”, assinalou.
No seu discurso, o presidente angolano deixou ainda um apelo à Igreja Católica para que tenha "um envolvimento mais construtivo da Igreja Católica na condição de parceiro social do Estado" para que juntos possam "trabalhar no progresso e desenvolvimento social do Pais". E reafirmou o empenho do seu governo na luta contra as desigualdades, e a exclusão social".
“Gostaríamos de poder contar com o envolvimento mais construtivo da Igreja Católica na condição de parceira social do Estado, para juntos trabalharmos no propósito de
alcançar o progresso e o desenvolvimento econômico e social do nosso país. A ideia central da atenção aos pobres, plasmada na Exortação Apostólica “Dilexe Te” de Vossa Santidade, em que considera, e eu cito, Deus tem um lugar especial no seu coração para aqueles que são discriminados e oprimidos, e apela a escolhas radicais para ajudar os mais fracos, tem uma ressonância muito especial entre nós, governantes, porque serve de guia na nossa ação cotidiana de luta contra as desigualdades, a indiferença e a exclusão social”.
O presidente angolano sublinhou o bom relacionamento entre Angola e a Santa Sé, deu a boas-vindas ao Papa e desejou-lhe “uma boa estadia em Angola e uma missão pastoral profícua e de grande sucesso”.