Mia Couto considera que “precisamos de um Papa assim”
- 19/04/2026 04:06
- Redação
O escritor Mia Couto não esconde que não é religioso, mas reconhece que é “religioso de outro ponto de vista”, ou seja, “na necessidade de estar religado a qualquer coisa que faça sentido”. O autor olha para a visita do Papa Leão XIV a África e diz “precisamos de um Papa assim”.
“Pode ser um elemento de unificação e perceção de que as coisas não se resolvem só num nível estritamente político. É dizer que há ali um nível humano e de diálogo que as pessoas têm que ter, para resolver aquilo que só se resolve de forma pacífica. Através da conversa humanizada”, afirma.
Na opinião do escritor, o mundo vive um tempo de “descrença” que se “tornou quase uma doença generalizada”. Face a este diagnóstico, o autor de “O Mapeador de Ausências” (ed. Caminho) considera que estes tempos exigem uma resposta “que não vamos encontrar em organizações, em instituições, sejam elas partidos, sindicatos”.
Mia Couto destaca a reação do Papa. “Dizendo, não vou questioná-lo, não vou debater no território dele, colocou a coisa num outro território. Acho que isso é fundamental e é preciso”, sublinha.
“A reação de Trump é de quem não contava com aquilo, de repente é mais uma vez uma reação enlouquecida, quando ele se apresenta como sendo Jesus Cristo. É uma coisa fora de qualquer compreensão”, diz Mia Couto sobre a reação do presidente dos Estados Unidos.