EUA atacam e capturam cargueiro no Golfo de Omã, Irão promete retaliar
- 19/04/2026 15:48
- Redação
Os Estados Unidos intercetaram, atacaram e capturaram um navio de carga iraniano no Golfo de Omã, como parte do bloqueio marítimo norte-americano no Estreito de Ormuz. Em resposta, o Irão promete retaliar contra aquilo a que chamam de "pirataria armada".
Em publicação na rede social Truth Social, Donald Trump revelou que a Marinha norte-americana atacou o Touska, com bandeira iraniana, e que o navio foi intercetado, estando sob sanções dos Estados Unidos por "atividade ilegal".
"Temos a custódia total do navio e estamos a verificar o que está a bordo!", escreveu Trump, referindo que o navio com 275 metros de comprimento e o peso de um porta-aviões tentou ultrapassar o bloqueio naval norte-americano.
"A tripulação iraniana recusou-se a obedecer, pelo que o nosso navio da Marinha os deteve imediatamente, abrindo um buraco", avançou o presidente norte-americano.
Em resposta, o exército iraniano adiantou que o navio vinha da China. "Alertamos que as forças armadas da República Islâmica do Irão vai em breve responder e retaliar contra a pirataria armada dos Estados Unidos", indicou um porta-voz militar à agência de notícias estatal, citado pela Reuters.
Já o vice-presidente do Irão, alertou que a estabilidade nos preços globais de combustíveis "depende de um fim garantido e duradouro da pressão económica e militar contra o Irão".
"A segurança do Estreito de Ormuz não é gratuita. Não se pode restringir as exportações de petróleo do Irã enquanto se espera segurança gratuita para os outros. A escolha é clara: ou um mercado livre de petróleo para todos, ou o risco de custos significativos para todos", afirmou nas redes sociais.
Este sábado, o Irão atacou pelo menos dois navios no Estreito de Ormuz, com bandeira indiana e francesa. A empresa de transportes CMA CGM confirmou este domingo que um dos seus navios foi atingido pela Guarda Revolucionária do Irão, referindo-se ao incidente como "tiros de advertência" e esclarecendo que a tripulação está segura.
O ataque dos Estados Unidos surge também horas depois do Irão ter confirmado que não estará na segunda ronda de negociações no Paquistão com representantes dos Estados Unidos.
"O Irão confirma a sua ausência na segunda rodada de negociações, considerando excessivas as exigências de Washington, com expectativas irreais, constantes mudanças de postura, contradições repetidas e o bloqueio naval em andamento, que considera uma violação do cessar-fogo", refere a agência estatal iraniana IRNA.
Com os Estados Unidos a imporem um bloqueio naval a portos iranianos, o Irão levantou e depois voltou a impor o seu próprio bloqueio ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, que antes do início da guerra era o ponto de passagem de cerca de 20% da produção mundial de petróleo.