Azeredo Lopes: “Já é mais do que altura de uma mulher assumir os destinos da ONU”

Azeredo Lopes: “Já é mais do que altura de uma mulher assumir os destinos da ONU”

  • 20/04/2026 01:30
  • Redação

É já mais do que altura para uma mulher assumir os destinos das Nações Unidas neste sentido simbólico e um pouco mais do que simbólico”, aponta Azeredo Lopes acrescentando que deverá ser “alguém com grandes qualidades diplomáticas” tendo em conta que “assistimos a um verdadeiro assalto às Nações Unidas”.

“Coragem”, “experiência e currículo para poder ser respeitada” e “capacidade diplomática muito acima da média”: o perfil traçado para o próximo líder da ONU pelo ex governante que , sem querer apontar nomes, identifica vários desafios da organização para os próximos tempos. Desde logo, o “sufoco financeiro” em que vivem as Nações Unidas.

“Se somos [a Europa] capazes de assumir e, muito bem, um encargo com um empréstimo para a Ucrânia de 90 mil milhões em dois anos, é para mim muito difícil de compreender que não sejamos capazes de facilmente duplicar o atual orçamento pindérico da Organização das Nações Unidas”, critica Azeredo Lopes, lembrando que, se não o fizermos, corre-se o risco de termos um secretario geral “cada vez mais num quadro funcional oco

Sobre o legado de António Guterres, o ex-ministro fala de um trabalho “discreto”, mas “fantástico” e está certo de que o nome do secretário-geral da ONU, alvo de vários “ataques injustos”, ficará na história.

“Acho que grande parte dos ataques que foram lançados contra António Guterres foram muito injustos e, também, por isso, acho que a história vai ser carinhosa com António Guterres”, diz Azeredo Lopes, convicto de que, depois de “acalmada a poeira”, virá sempre ao de cima “o conjunto de qualidades pessoais e institucionais de quem desempenha uma função”.

“Guterres, de forma discreta e não excessivamente visível, fez um trabalho fantástico. Ou seja, ele conseguiu aguentar a nau numa altura em que muitos lhe decretavam a morte”, aponta.

“Reconheço que António Guterres, provavelmente, vai sair com um pouco de amargura. Infelizmente, vai sair de secretaria-geral e, olhando para trás, vai ver uma organização que, por muito mérito que ele tenha, provavelmente ,está em pior estado do que quando ele entrou”.

O atual secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, assumiu o cargo em janeiro 2017. O português termina o seu segundo mandato no final deste ano.

  • Fonte: Rádio Renascença
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