“Miñán — Irmãozinho”. Livro de migrante assinala um ano da morte do Papa Francisco
- 20/04/2026 02:30
- Redação
Em 2013, a visita à ilha de Lampedusa, onde chegavam continuamente migrantes, marcou o início do pontificado do Papa Francisco, mas os alertas para este drama humanitário foram uma constante. Nos últimos anos, sempre que falava de migrantes e refugiados aconselhava a leitura de "Miñán" para mostrar ao mundo como o Mediterrâneo se transformou num cemitério.
“Sempre que os jornalistas lhe perguntavam qual era a opinião dele sobre algum tópico relacionado com migrações, o Papa Francisco recomendava sempre a leitura de ‘Hermanito’, ou ‘Fratelino’, como ele dizia. É ‘irmãozinho’ em português”, explica Isabel Martins da Silva, da Comunidade MEERU, que apoia migrantes e refugiados.
Quando leu o livro, que já foi traduzido em várias línguas, Isabel Martins da Silva percebeu que tinha de haver uma edição portuguesa.
Originalmente, o livro foi escrito em Pulaar (ou Fula) — uma das seis línguas reconhecidas na Guiné — e conta a vida de Ibrahima “desde a infância dele, até chegar à Europa em 2022”.
“O Ibrahima não saiu por opção, e esta é uma história muito significativa para nos ajudar a desconstruir ideias pré-concebidas” em relação aos imigrantes e refugiados, diz Isabel, lembrando que há muitos outros casos com finais mais trágicos, e que continuam a fazer do mediterrâneo um verdadeiro cemitério, como lhe chamou o Papa Francisco.
Dar a conhecer a história de Ibrahma é a melhor forma de homenagear Francisco, que foi um “farol” para quem se dedica ao trabalho com migrantes. “Para nós, que temos estado com a vida mergulhada nesta missão da hospitalidade de quem chega às nossas comunidades, o Papa Francisco foi sempre um farol e as palavras que ele repetidamente ia, com muita perseverança, ditando ao mundo para que o acolhimento, a hospitalidade, a fraternidade fossem, não um projeto, mas um estilo de vida, foi sempre uma inspiração. Por isso acreditamos mesmo que estamos a continuar a missão que ele com tanta insistência foi construindo”.
O livro é publicado pela primeira vez em Portugal numa co-edição entre a editora Flâneur e a Comunidade MEERU - Abrir Caminho. A tradução para língua portuguesa esteve a cargo do tradutor e poeta Jorge Melícias.