Vamos ter um "novo Orbán" na Bulgária?

  • 20/04/2026 03:00
  • Redação

Depois da derrota de Orbán na Hungria, a União Europeia acorda esta segunda-feira com um novo primeiro-ministro eurocético na Bulgária.

Rumen Radev venceu as legislativas deste domingo e coloca a Europa perante um novo cenário: Vamos ter um "novo Orbán" na Bulgária?

É ex-Presidente da Bulgária, ganhou as legislativas antecipadas com uma margem confortável - entre 38% e 45%, de acordo com os resultados ainda parciais. Mas tudo aponta para uma vitória bastante expressiva.

Agora, se isso significa que a Bulgária vai ser a nova Hungria dentro da União Europeia? Pode não ser bem assim. É verdade que o primeiro-ministro eleito da Bulgária tem um discurso eurocético, é favorável a um relacionamento pragmático com Moscovo e é um crítico do apoio militar à Ucrânia - fazendo lembrar o papel de bloqueio que a Hungria de Viktor Orbán teve em vários dossiers europeus.

Mas há diferenças a ter em conta, antes de catalogar Rumen Radev como o novo Orbán.

Em primeiro lugar, o facto de ter alcançado uma vitória expressiva, mas não uma maioria absoluta.

Além disso, Rumen Radev tem insistido que a Bulgária deve prosseguir no caminho europeu, embora defenda uma União Europeia mais pragmática e mais crítica.

Finalmente e, ao contrário do modelo Orbán, assente em maiorias duradouras, a Bulgária vem de várias legislaturas com parlamentos fragmentados e governos frágeis.

Pode precisar de parceiros, o que pode pôr travão a uma governação com uma agenda unilateral.

Por isso, ou o novo primeiro-ministro consegue uma coligação, ou tenta governar em minoria.

Em teoria, pode. Sobretudo, nas áreas em que a União Europeia tem de decidir por unanimidade, como, por exemplo, política externa e de segurança comum ou a adesão de novos Estados-membros. Dois dossiers que têm muito a ver com a questão ucraniana.

Portanto, com um primeiro-ministro eurocético na Bulgária, as negociações poderão ser mais exigentes.

Por outro lado, e este é um ponto muito importante, Rumen Radev pode ser uma voz favorável a uma reabertura de canais de diálogo com a Rússia, no contexto do pragmatismo que defende no relacionamento entre a Rússia e o bloco europeu. Ou seja, a Bulgária pode ser a nota que destoa na orquestra, tal como foi a Hungria, sob a liderança de Viktor Orbán.

  • Fonte: Rádio Renascença
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