Falta de perspetivas de chegar ao Superior explica queda a pique da taxa de conclusão do Secundário
- 20/04/2026 02:20
- Redação
O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, diz que há muitos alunos "sem perspetivas" para chegar ao ensino superior.
"O Estado não pode desfazer os sonhos das pessoas que têm menos posses económicas", sublinha.
As declarações do presidente da ANDAEP surgem em reação ao facto de o número de alunos que concluíram o secundário em 2025 ter caído e voltado a níveis pré-pandemia.
A taxa de conclusão diminuiu cerca de 11% face ao ano anterior, contudo não é a única razão por trás da diminuição de candidatos à universidade.
De acordo com o estudo "Quebra de Ingressos no Acesso ao Ensino Superior em 2025/26 - Diagnóstico, Evidência e Análise", realizado pelo gabinete da secretária de Estado do Ensino Superior, a redução do número de colocados pode explicar-se também com a diminuição das notas obtidas nos exames nacionais.
Em 2017/18 e 2018/19, existiam cerca de seis mil diplomados do ensino secundário com apenas uma positiva no exame nacional. Caso se aplicasse a regra de duas provas mínimas nesse período, estes diplomados estariam excluídos de se candidatarem ao ensino superior.
Entre 2019/20 e 2023/24, em que não se exigiu qualquer exame nacional para completar o secundário, entre 3.100 e 6.300 alunos tiveram uma nota positiva nos três ou quatro exames nacionais que realizaram.
Com a exigência da realização de uma prova, este grupo poderia candidatar-se; com a exigência das duas provas, ficariam excluídos.
Ainda assim, o relatório sublinha que não é possível concluir que a redução na taxa de conclusão do ensino secundário se ficou a dever exclusivamente à alteração do número mínimo de exames nacionais.