Irão rejeita mais negociações e acusa EUA de violar cessar-fogo

Irão rejeita mais negociações e acusa EUA de violar cessar-fogo

  • 20/04/2026 08:09
  • Redação

O Irão não tenciona, para já, participar em novas negociações com os Estados Unidos, segundo avançou a comunicação social estatal iraniana, citada pelo The Guardian, numa altura em que as autoridades militares do país acusam Washington de violar o cessar-fogo em vigor. A posição surge poucas horas depois de Donald Trump anunciar o envio de uma delegação para Islamabad com vista a retomar o diálogo.

De acordo com os meios oficiais iranianos, não existem planos imediatos para integrar a próxima ronda de conversações, decisão justificada com o que Teerão descreve como exigências “excessivas” por parte dos EUA, mudanças constantes de posição e a manutenção do bloqueio naval, considerado uma quebra do acordo de tréguas.

Entretanto, a tensão agravou-se no domingo após Trump revelar que forças norte-americanas intercetaram um navio cargueiro iraniano nas imediações do Estreito de Ormuz. O Presidente afirmou que a embarcação está sob custódia dos EUA, acrescentando que será analisado o seu conteúdo. Teerão garante que o navio tinha origem na China e classificou a ação como “pirataria armada”, prometendo retaliação.

O incidente levanta dúvidas sobre a sobrevivência do cessar-fogo, que deveria abrir caminho a negociações em Islamabad. Washington previa enviar uma delegação liderada pelo vice-presidente JD Vance, acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e por Jared Kushner.

No terreno, o Irão voltou a impor restrições severas à navegação no estratégico Estreito de Ormuz, depois de um breve entendimento para reabrir a rota. A decisão surge em resposta à continuidade do bloqueio naval norte-americano, num contexto em que cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo depende desta passagem.

Apesar do impasse, responsáveis iranianos insistem que a via diplomática não está totalmente encerrada. O presidente do parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que “não haverá recuo na diplomacia”, ainda que reconheça a grande distância entre as posições das duas partes.

Trump, por sua vez, endureceu o discurso, classificando as negociações como a “última oportunidade” para um acordo de paz. O Presidente norte-americano ameaçou destruir infraestruturas críticas iranianas, incluindo centrais energéticas e pontes, caso Teerão rejeite os termos propostos por Washington.

A guerra, que já dura há oito semanas, provocou milhares de mortos no Irão e no Líbano e tem tido forte impacto nos mercados energéticos globais. O prolongamento da crise e o bloqueio no Estreito de Ormuz continuam a alimentar receios de uma nova escalada e de maior instabilidade económica a nível internacional.

  • Fonte: Rádio Renascença
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