Medina pede a Montenegro fim da "birra": "Passámos há muito o limite tolerável" com ministra da Saúde

  • 20/04/2026 16:15
  • Redação

Fernando Medina pede ao primeiro-ministro que “não feche os olhos” e avisa que já se passou “há muito o limite do tolerável” com a ministra da Saúde, por considerar Ana Paula Martins responsável pela nova polémica sobre a dívida do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) às associações de bombeiros.

Para Fernando Medina, já se passou “há muito tempo o limite do tolerável” com a ministra. O antigo governante reconhece que “é muito exigente e difícil gerir as grandes máquinas do Estado”, mas defende que o primeiro-ministro não deve continuar com os “olhos fechados”.

“O Primeiro-Ministro não pode continuar a fechar os olhos a esta situação, fazendo disto um ponto de birra política, pensando que é aqui que ele está a mostrar a sua firmeza. Ele já não está. Este caso já passou muito para além disso. A Ministra da Saúde já não tem possibilidade nenhuma de ser defendida sobre matéria nenhuma”, afirma Fernando Medina.

Dois dias depois de a Liga dos Bombeiros Portugueses ter anunciado o fim do acordo, a ministra da Saúde continua em silêncio. Do Governo, apenas o ministro da Administração Interna falou para prometer uma solução “em breve”.

O antigo governante do PSD reconhece que o Ministério da Saúde “está numa posição problemática” por não estar a cumprir os pagamentos que deviam ser feitos. Miguel Poiares Maduro aponta como problemas “crónicos” o subfinanciamento do INEM e os “atrasos significativos no pagamento” do Estado, até noutras áreas, e defende que o Governo deve corrigir esses problemas de financiamento, ou com uma gestão eficiente do INEM com o mesmo orçamento, ou com um reforço do financiamento.

Fernando Medina avisa o Presidente da República de que deve aguardar pela posição do parlamento antes de se pronunciar sobre a nova lei laboral. O socialista e antigo ministro das Finanças acredita que António José Seguro não o fará, mas reforça, no Conversa de Eleição, que este “é o tempo do parlamento”.

Depois da visita de Estado a Espanha e da receção do Presidente do Brasil esta terça-feira, o Presidente da República prepara o encontro com os parceiros sociais de quarta-feira, em que serão manifestadas as opiniões sobre a nova reforma laboral que está a ser negociada com o Governo. Questionado sobre se deve ou não Seguro avançar com o encontro, Fernando Medina compreende que este se realize, mas reforça que António José Seguro deve manter o silêncio sobre o assunto.

“Havendo, ou não, acordo de concertação, o tema tem que ser votado no Parlamento. Isto é matéria do Parlamento”, reforça Fernando Medina.

O antigo ministro das Finanças recorda que já é conhecida a posição da esquerda, colocando a decisão sobre a nova lei do lado do partido Chega. Sobre António José Seguro, diz que o Presidente “pode naturalmente” ouvir os parceiros, mas “resguardar-se para ver o que o Parlamento vai dizer sobre a matéria”. Só depois disso será o tempo do Presidente falar, defende.

Miguel Poiares Maduro reconhece que, como Presidente da República, António José Seguro tem capital político que lhe permite, “sob reserva, na sombra”, procurar influenciar e promover compromissos, mas alerta que, em matéria de legislação laboral, pode ser “arriscado para o Presidente estar a assumir a posição que parece estar a assumir ao tentar promover um compromisso”. O social-democrata considera, ainda assim, que, se António José Seguro conseguir esse compromisso, terá aí a sua “primeira vitória muito significativa”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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