Espanha e Irlanda pressionam UE a agir contra Israel, mas Europa continua bloqueada
- 21/04/2026 08:47
- Redação
A União Europeia continua profundamente dividida sobre a possibilidade de suspender o acordo de associação com Israel, apesar da pressão crescente de países como a Espanha e a Irlanda para uma resposta mais firme.
À chegada a uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros no Luxemburgo, vários responsáveis europeus defenderam a suspensão total ou parcial do acordo, em vigor desde 2000, apontando preocupações com os colonatos na Cisjordânia, a situação humanitária em Gaza e a introdução de legislação sobre a pena de morte.
“Hoje, está em jogo a credibilidade da Europa”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, José Manuel Albares, sublinhando a necessidade de discutir a suspensão do acordo.
Apesar da pressão política, fontes diplomáticas indicam que não é esperada qualquer decisão imediata, dado que os Estados-membros mantêm posições divergentes sobre se — e como — alterar a política europeia em relação a Israel.
A Comissão Europeia propôs, em setembro, a suspensão de algumas disposições comerciais do acordo, que abrange cerca de 5,8 mil milhões de euros em exportações israelitas. Na altura, Israel classificou a proposta como “moral e politicamente distorcida”.
Para que uma suspensão parcial avance, é necessária uma maioria qualificada — pelo menos 15 dos 27 Estados-membros, representando 65% da população da UE. Já uma suspensão total exige unanimidade.
A posição de países como a Alemanha tem sido determinante. O ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, defendeu uma abordagem diplomática: “manifestámos as nossas críticas relativamente à introdução da pena de morte. [...] Temos também uma posição muito clara sobre a violência dos colonos”, afirmou, acrescentando que Berlim prefere “um diálogo crítico e construtivo com Israel”.
Outros Estados-membros continuam a defender medidas mais duras. A Bélgica e a Irlanda estão entre os países que pedem alterações na política europeia.
O chefe da diplomacia belga, Maxime Prevot, admitiu, no entanto, limitações: “Apelamos, pelo menos, a uma suspensão parcial [...], mas estamos cientes de que uma suspensão total está provavelmente fora de alcance”.
Já o ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, foi claro quanto ao bloqueio político, argumentando que “não há sinais de qualquer maioria a favor de tomar medidas relativamente ao acordo de associação”.
A UE é o maior parceiro comercial de Israel. Em 2024, o comércio de bens entre ambas as partes atingiu 42,6 mil milhões de euros.
Paralelamente, estão em discussão possíveis sanções a colonos israelitas considerados violentos e a membros do governo israelita classificados como extremistas — medidas que exigem unanimidade entre os Estados-membros.
Diplomatas europeus admitem que essas sanções poderão avançar mais facilmente após mudanças políticas na Hungria.
Entretanto, Suécia e França defenderam uma linha mais dura, propondo restrições ao comércio com colonatos considerados ilegais.
Perante a falta de consenso, alguns países procuram vias alternativas para pressionar Israel.
“É importante aumentar a pressão sobre Israel”, defendeu o ministro neerlandês Tom Berendsen, acrescentando que “o objetivo não é suspender a secção comercial. O objetivo é uma mudança de comportamento”.
Os colonatos israelitas na Cisjordânia são considerados ilegais pelas Nações Unidas e por grande parte da comunidade internacional, posição contestada por Israel. Já os palestinianos defendem que a região deverá integrar um futuro Estado independente.