Papa Leão: “Sem respeito pelos acordos internacionais, a humanidade pode ficar tragicamente comprometida”
- 21/04/2026 09:30
- Redação
Leão XIV inicia viagem à Guiné Equatorial com renovadas críticas à utilização das “novas tecnologias principalmente para fins bélicos”.
Num encontro com as autoridades, representantes da sociedade civil e corpo diplomático, o Papa pediu respeito pelas instituições e pelos acordos internacionais. Alertou para as novas tecnologias serem ”concebidas e utilizadas principalmente para fins bélicos e em contextos, que não deixam vislumbrar um aumento de oportunidades para todos”. E alertou: “Sem uma mudança de rumo na assunção de responsabilidade política e sem respeito pelas instituições e pelos acordos internacionais, o destino da humanidade corre o risco de ser tragicamente comprometido. Deus não deseja isto”.
Ao presidente e governantes, Leão XIV lembrou que “o Santo nome de Deus “não pode ser profanado pela vontade de domínio, pela prepotência e pela discriminação; acima de tudo, não deve nunca ser invocado para justificar escolhas e ações de morte”. E deixou um pedido: “Que o vosso país não hesite em rever as suas trajetórias de desenvolvimento e as positivas oportunidades de se posicionar no cenário internacional ao serviço do direito e da justiça”.
Leão XIV lembrou “a vertiginosa evolução tecnológica” e sublinhou que “a proliferação de conflitos armados tem entre os seus principais motivos a colonização de jazidas petrolíferas e minerais, que parece fazer esquecer exigências fundamentais como a salvaguarda da criação, os direitos das comunidades locais, a dignidade do trabalho e a proteção da saúde pública”. Neste contexto, o atual pontífice lembrou o apelo do Papa Francisco, “que há precisamente um ano deixou este mundo”, ao dizer: “Não a uma economia da exclusão e da desigualdade social. Esta economia mata»” (Fratelli tutti).
O pontífice lamentou que “hoje, mais do que há alguns anos, é ainda mais evidente que a proliferação dos conflitos armados tem entre os seus principais motivos a colonização de jazidas petrolíferas e minerais, sem qualquer respeito pelo direito internacional e pela autodeterminação dos povos”.
No país com o Chefe de Estado eleito há mais tempo – Teodoro Obiang Nguema está no poder há 46 anos – o Papa lembrou que é “dever inalienável das autoridades civis remover os obstáculos ao desenvolvimento humano” e lembrou que a Doutrina Social da Igreja representa uma ajuda para quem deseja enfrentar “as coisas novas” que desestabilizam o planeta e a convivência humana.
Leão XIV afirmou ainda que, num país jovem como é a Guiné Equatorial, a Igreja pode ajudar na “formação de consciências livres e responsáveis”, porque “num mundo ferido pela prepotência, os povos têm fome e sede de justiça”.
A Guiné Equatorial é um dos países mais autoritários de África, fortemente centrado na família presidencial e na elite governativa, onde repetidamente se denunciam graves abusos dos direitos humanos. “É preciso valorizar quem acredita na paz e ousar políticas contracorrente, cujo centro é o bem comum. É urgente ter a coragem de visões novas e de um pacto educativo que dê aos jovens espaço e confiança”, frisou o Papa.
Recebido com grande entusiasmo pelas ruas, Leão XIV, ainda esta tarde, se encontra com o mundo da cultura, na universidade de Malabo e visita um hospital psiquiátrico para um breve convívio com alguns doentes, médicos e enfermeiros.