Produção de armamento na UE está muito abaixo da Rússia, diz comissário
- 21/04/2026 10:32
- Redação
O comissário europeu de Defesa alertou que as capacidades de produção de armamento na União Europeia estão muito abaixo das da Rússia, baseando-se em números disponíveis publicamente e fornecidos pelo ChatGPT.
"Se se compararem os números da produção militar da Rússia e da europeia, nós estamos a ser largamente superados pela Rússia em termos de produção", alertou Andrius Kubilius numa entrevista à Lusa e a outras agências de notícias no âmbito do projeto Redação Europeia (European Newsroom), elencando vários números que disse estarem disponíveis publicamente e terem-lhe sido fornecidos pela ferramenta de inteligência artificial ChatGPT.
"A Rússia produziu, no ano passado, 1.200 mísseis de cruzeiro, e visaram todos a Ucrânia. A União Europeia (UE), no ano passado, produziu menos de 300. Em termos de mísseis balísticos, a Rússia produziu cerca de 1.000. A UE, produziu zero", advertiu.
Neste contexto, o comissário afirmou que, se os Estados Unidos deixarem de conseguir vender armamento destinado à Ucrânia, por terem significativamente reduzido as suas reservas com a guerra no Irão, isso irá "criar um desafio".
Kubilius frisou que a Europa estava a "comprar aos Estados Unidos cerca de 40%" do armamento destinado à Ucrânia, referindo que isso é particularmente importante no que se refere aos sistemas de mísseis Patriot, mas agora, devido à guerra no Irão, os Estados Unidos "esvaziaram as suas reservas de maneira significativa".
"Há quem diga que irá levar vários anos -- três a quatro -- para a indústria de defesa dos Estados Unidos produzir o que é necessário para voltar a encher as reservas. Portanto, precisamos de perceber que temos de nos concentrar muito mais na nossa produção e nos nossos esforços", afirmou.
Apesar de alertar para os níveis de produção na UE, Kubilius saudou os esforços da Ucrânia, considerando que têm tido "exemplos remarcáveis" no que se refere à capacidade da sua indústria de Defesa.
"No ano passado, os ucranianos começaram a produzir mísseis de cruzeiro Flamingo e, este ano, preveem produzir cerca de 700. Também estão a prever começar a produzir este ano mísseis balísticos. Está a haver conversas com a indústria europeia para que comecem a produzir mísseis antibalísticos. E nós estamos prontos para apoiá-los", afirmou, acrescentando que espera que o novo Governo húngaro desbloqueie "muito rapidamente" o empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, dos quais 60 mil milhões serão destinados ao setor da Defesa.
Nesta entrevista, o comissário foi ainda questionado se considera que a UE deve participar em missões para proteger o Estreito de Ormuz, afirmou que o "interesse geral" agora é de conseguir reabrir essa via marítima por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito (GNL) mundial.
"O mundo inteiro está a sofrer com o aumento dos preços da energia. A Europa talvez não esteja tão dependente dos fornecimentos dos países do Golfo, mas o aumento dos preços está a atingir toda a gente. Por isso, é do nosso interesse" abrir o estreito, referiu, apesar de salientar que não tutela matérias dessa natureza.
Questionado sobre se a UE deveria mudar o mandato da operação naval Aspides, que atua atualmente no Mar Vermelho, o comissário respondeu: "O que é necessário é garantir a paz e a navegação segura".
"Se a Europa conseguir trazer algum valor acrescentado, temos de estar preparados para isso", disse.