Vinte e seis estradas continuam cortadas no país quase três meses após tempestades
- 21/04/2026 15:54
- Redação
A Infraestruturas de Portugal (IP) contabiliza 26 estradas no território nacional que continuam encerradas após a passagem do comboio de tempestades, realçando que já foi possível resolver 92% dos cortes registados.
"Temos 26 estradas com circulação encerrada", afirmou o presidente da IP, Miguel Cruz, que falava o início da reunião do Conselho Intermunicipal da Região de Coimbra, que decorre esta terça-feira em Arganil.
Numa informação enviada à agência Lusa pela IP, aquela empresa pública deu nota de que chegaram a registar mais de 300 cortes totais de troços de estradas na rede gerida pela Infraestruturas de Portugal, mas, neste momento, 92% dos casos estavam já resolvidos, após a passagem de várias tempestades entre o final de janeiro e meados de fevereiro.
De acordo com tabela enviada à agência Lusa, o distrito de Lisboa regista um total de dez cortes de estrada: na estrada nacional (EN) 8 (Cadaval), EN115 (Cadaval), EN8-2 (Lourinhã), na EN9 (Mafra), na EN9-2 (Mafra), EN115 (Alenquer), EN115 (em dois pontos no concelho de Arruda dos Vinhos), EN248 (Vila Franca de Xira) e EN248-2 (Sobral de Monte Agraço).
No distrito de Coimbra, há circulação cortada na estrada regional (ER) 2 (em Penacova), na EN 347 (em Penela), no ex-IC3 (em Penela), na ER110 (em Coimbra), na EN342 (em Arganil).
No distrito de Viseu, registam-se cortes na EN323 (em Tabuaço) e na EN222 (Resende); no distrito de Setúbal, na EN261-2 (Grândola) e na EN378 (Sesimbra); e no distrito de Santarém na EN114-2 (Santarém) e na EN243 (Alcanena).
Há ainda cortes na EN232 (Manteigas), na EN15 (Amarante), na EN336 (Anadia), na EN2 (Sertã) e na EN243 (Porto de Mós).
Durante a sua participação no Conselho Intermunicipal em Arganil, que decorreu hoje de manhã, Miguel Cruz deu nota de que a maioria de intervenções nas estradas não deverá demorar menos de seis meses, recordando que poderão surgir alguns constrangimentos no processo.
Segundo o presidente da IP, já se sente alguma dificuldade na capacidade de resposta de projetistas face à quantidade de projetos em mãos.
"Estamos a ter dificuldades e os projetos estão a demorar um pouco mais de tempo do que gostaríamos", constatou, referindo que, apesar de ainda não se sentir dificuldade na resposta da parte dos empreiteiros, poderá haver alguns constrangimentos também nesse campo.
De acordo com a IP, a maioria das estradas cortadas deve-se a instabilidade das plataformas rodoviárias das estradas e deslizamento de taludes, com as intervenções a incluírem trabalhos de estabilização, contenção de taludes, melhoria dos sistemas de drenagem e reconstrução parcial ou integral de infraestruturas afetadas, entre outras. .
Miguel Cruz realçou esta terça-feira que, além de estar a trabalhar para reparar estradas e repor a circulação, a IP fez já 1.300 inspeções extraordinárias a pontes e outras obras de arte após a passagem das tempestades.
"Não identificámos nenhum problema estrutural significativo", notou, referindo que faltam algumas inspeções extraordinárias, que ainda não foram realizadas por falta de disponibilidade de mergulhadores para trabalhos subaquáticos.
Durante a sua intervenção, o presidente da IP alertou que os eventos climáticos serão cada vez mais intensos e imprevisíveis, considerando que é preciso "correr" para se chegar a dezembro de 2026 com a grande maioria das intervenções concluídas e em condições para não terem perturbações em episódios futuros de tempestades.
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem, entre janeiro e fevereiro, das depressões Kristin, Leonardo e Marta. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.
Já as reparações de situações provocadas pelas tempestades de janeiro e fevereiro nas linhas do Oeste e da Beira Baixa devem ficar concluídas até ao final do ano, revelou esta terça-feira o presidente da Infraestruturas de Portugal (IP).
"Neste momento, temos única e exclusivamente duas linhas encerradas, num troço em cada uma – a Linha do Oeste e a Linha da Beira Baixa", afirmou Miguel Cruz, que falava no arranque da reunião do Conselho Intermunicipal da Região de Coimbra, que decorre hoje em Arganil.
No caso da Linha da Beira Baixa, o presidente da IP afirmou que se trata de "uma situação de queda de taludes e perturbação de plataforma", numa intervenção de reparação difícil pela "complexidade da localização, muito junto ao rio".
A reparação "entrou em projeto e deverá estar concluída até ao final do ano", disse, salientando que a IP está a "pressionar para que o projeto e a intervenção possam ser rápidas".
Posteriormente às declarações de Miguel Cruz, fonte oficial da IP esclareceu que, no caso da Linha da Beira Baixa, a reparação deverá estar concluída entre agosto e setembro.
Já no caso da Linha do Oeste, as tempestades que afetaram sobretudo a região Centro levaram a quedas graduais de taludes, contabilizando-se um total de "20 taludes que cederam ao longo de uma distância de cerca de 20 quilómetros".
Também no caso da Linha do Oeste, a expectativa é a de que as reparações possam estar concluídas até ao final do ano.
No final de janeiro, a IP também admitia um adiar da circulação de comboios de tração elétrica na Linha do Oeste para 2028, notando vários atrasos e adiamentos naquela intervenção de modernização daquela infraestrutura ferroviária.