Mais polícia nas ruas, na reforma e com ações disciplinares. Luís Neves anuncia alterações na PSP e GNR
- 21/04/2026 17:45
- Redação
Depois de uma audição durante cerca de quatro horas na Comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias sobre a política geral do ministério, o ministro revelou que vai colocar mais polícias na rua.
"Os polícias são para estar na rua e para cumprir a sua missão", acredita Luís Neves.
Entre as medidas anunciadas, conta-se ainda os cerca de 900 polícias que vão passar à pré-aposentação, alguns vão enfrentar ações disciplinares "num curto espaço de tempo" e outros vão ser expulsos.
Na primeira audição parlamentar como ministro, Luís Neves disse querer "mais polícias onde fazem falta", nomeadamente junto das populações, na prevenção, ordem pública e investigação criminal.
"As tarefas administrativas podem ser cumpridas por outros", disse sobre o novo modelo planeado, frisando que este problema é maior na PSP, que vive "um momento de crise".
Para tal, o ministro pediu à PSP um levantamento sobre o número de polícias que estão em funções administrativas para serem substituídos "a médio prazo" por trabalhadores não policiais.
Cerca de 900 polícias da PSP vão passar à pré-aposentação este ano, anunciou esta terça-feira o MAI, avançando que esta medida é possível porque vão entrar mais de mil agentes até ao final de 2026.
"Só será possível porque, pela primeira vez, em mais de 10 anos desde 2015" a Polícia de Segurança Pública tem dois cursos de formação de agentes no mesmo ano, contabilizando cerca de 1.400 novos colegas até ao final deste ano.
Ou seja, no dia 29 de maio terminam o curso quase 600 novos agentes e, no final de dezembro, termina mais outro curso de formação de agentes com cerca de 800 polícias.
Para evitar e erradicar "comportamentos desviantes dos polícias", Luís Neves deu instruções à Inspeção-Geral da Administração Interna para que a ação disciplinar seja feita "no mais curto espaço de tempo".
"Forneci instruções ao inspetor-geral e a todos para que a ação disciplinar possa ser exercida no mais curto espaço de tempo possível porque estes comportamentos têm que ser extirpados da nossa atividade."
Desde que tomou posse, Luís Neves já assinou "inúmeros despachos" de expulsão de membros da PSP e GNR, afirmando que será "muito firme" e "inflexível" em relação a comportamentos desviantes dos polícias.
Além disso, o Governo tem um plano de investimento para recuperar as esquadras que estão degradadas.
"Nós, Governo, eu, ministro da Administração Interna, penso maduramente que no futuro o exclusivo de dar meios da PSP à Polícia Municipal de Lisboa e do Porto tenha um fim", disse, defendendo um recrutamento próprio para estas polícias.
As Polícias Municipais de Lisboa e Porto têm um regime especial em que, ao contrário das restantes polícias municipais do país, são constituídas exclusivamente por pessoal com funções policiais da Polícia de Segurança Pública.
O ministro confirmou à deputada comunista que "há de facto um pedido para irem para a Polícia Municipal de Lisboa 100 elementos e 80 para o Porto".
Luís Neves adiantou que já transmitiu aos presidentes das câmaras de Lisboa e do Porto que está a ser ponderado o fim daquele regime especial para a Polícia Municipal.