Libertado mais um preso político luso-venezuelano detido desde 2022

Libertado mais um preso político luso-venezuelano detido desde 2022

  • 21/04/2026 18:59
  • Redação

O Governo português saudou na terça-feira a libertação do luso-venezuelano Héctor Ferreira Domingues, detido desde setembro de 2022, e garantiu que vai continuar a trabalhar pela "libertação dos presos políticos que ainda estão detidos" na Venezuela.

"Portugal expressa profunda solidariedade à família neste reencontro tão aguardado", realçou o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), numa nota na rede social X (antigo Twitter).

Héctor teria de cumprir uma pena de 18 anos, revelou o gabinete de Paulo Rangel.

"O Governo português continuará a trabalhar, discreta mas ativamente, pela libertação dos presos políticos que ainda estão detidos na Venezuela", lê-se na mensagem oficial do MNE.

Em fevereiro, a organização não governamental Foro Penal (FP), que lidera a defesa jurídica dos presos políticos na Venezuela, divulgou um alerta na Internet que pedia libertação de Héctor Mário Ferreira Domingues, um empresário luso-venezuelano, detido "durante uma rusga à fábrica de uniformes que dirigia em Caracas".

Citando as autoridades venezuelanas, a FP explicou que a detenção se baseou na declaração de um "patriota cooperante anónimo", que afirmou que a empresa teria realizado supostas negociações com a empresa Monómeros Colombo Venezolanos S.A. (filial da estatal venezuelana Pequiven na Colômbia) para a venda de materiais que supostamente se destinariam à Assembleia Nacional.

A FP denunciou também que "no dia seguinte à sua detenção e à rusga, as forças de segurança tomaram a empresa e continuaram a trabalhar lá, o que, segundo a família e a sua defesa, sugere que a intenção por detrás da operação era tomar posse da empresa".

Fontes da comunidade lusa local disseram na altura à Agência Lusa que o que aconteceu com o empresário foi reportado às autoridades portuguesas, pouco depois de Ferreira Domingues ter sido detido.

Segundo dados da organização não-governamental Justiça, Encontro e Perdão (JEP), na Venezuela estão detidas por motivos políticos 674 pessoas.

Dos detidos 583 são homens e 91 são mulheres, incluindo 28 estrangeiros e 30 venezuelanos com dupla nacionalidade.

A FP documentou, desde 2014, a detenção de 19.079 pessoas por motivos políticos na Venezuela, das quais mais de 11.000 continuam arbitrariamente sujeitas a medidas restritivas da liberdade.

  • Fonte: Rádio Renascença
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