Líbano exige "retirada total" de forças israelitas
- 21/04/2026 19:38
- Redação
O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, exigiu na terça-feira a "retirada total" das forças israelitas e o regresso de prisioneiros e deslocados, no âmbito das negociações com Israel, antes da reunião agendada para quinta-feira em Washington.
Numa conferência de imprensa conjunta em Paris com o Presidente francês, Emmanuel Macron, o chefe de Governo libanês afirmou também que o seu país precisa de "500 milhões de euros para enfrentar a crise humanitária nos próximos seis meses".
Por sua vez, Macron sustentou que Israel deve "desistir das suas ambições territoriais" no Líbano e que o movimento xiita libanês Hezbollah, aliado do Irão, deve ser desarmado "pelos próprios libaneses".
O cessar-fogo de dez dias em vigor, que termina no próximo domingo, "deve ser prolongado para permitir o início de um verdadeiro processo de estabilização", declarou Macron à comunicação social, depois de receber o chefe do Governo libanês no Palácio do Eliseu.
Defendeu um "acordo político entre Israel e o Líbano que garanta a segurança dos dois países, a integridade territorial do Líbano e estabeleça as bases para a normalização das relações bilaterais".
"Acreditamos num desarmamento do Hezbollah pelas Forças Armadas libanesas", seja pela força ou pela negociação, dependendo do "caminho escolhido" pelas autoridades de Beirute, afirmou o Presidente francês.
"Enquanto houver uma força a ocupar ou a bombardear território libanês, isso enfraquecerá a capacidade de desarmar o Hezbollah a longo prazo", alertou.
A estabilização exige que o Hezbollah "pare de atacar Israel e de tentar substituir o Estado no exercício das suas prerrogativas", mas também "que Israel desista das suas ambições territoriais e entenda que a condição para a sua segurança é um Estado libanês forte, não uma política do caos", insistiu.
Depois de os países da União Europeia (UE) não terem conseguido aprovar na terça-feira a imposição de novas sanções a Israel, apesar dos apelos nesse sentido feitos por vários deles, incluindo Espanha, Emmanuel Macron adotou uma abordagem mais cautelosa.
Reconheceu ser uma "questão legítima" a possibilidade de suspender o acordo de associação entre a UE e Israel, se este último "prosseguir com esta política que vai contra a sua história", nomeadamente no Líbano.
"Este não é o momento para nos precipitarmos num confronto, especialmente agora que Israel concordou com um cessar-fogo no Líbano e se empenhou em conversações", afirmou o Presidente francês.
"Mas as coisas claramente não podem continuar como estavam há alguns anos", acrescentou, instando as autoridades israelitas a comprometerem-se com "uma via de respeito pela soberania dos Estados vizinhos e de apaziguamento".
Sobre o pedido de ajuda de Nawaf Salam para lidar com a crise humanitária no Líbano, o Presidente francês comprometeu-se a reagendar uma conferência de apoio às Forças Armadas e às forças de segurança libanesas, inicialmente marcada para o início de março, para quando Beirute "considerar útil".
Emmanuel Macron afirmou ainda que França está "pronta para manter o seu compromisso no terreno" após a partida da FINUL, a missão da ONU, prevista para o final do ano, "ao lado dos seus parceiros mais mobilizados, dentro de uma estrutura que será necessário definir em conjunto".
Assinalando "com alegria e satisfação o interesse dos Estados Unidos da América pelo Líbano", convidou-os a ajudar França a "negociar uma nova resolução" para renovar o mandato da FINUL no país ou definir "uma nova versão do mesmo".
No fim de semana passado, um militar francês morreu e outros três ficaram feridos na sequência de um ataque ocorrido no sul do Líbano contra a Força Interina das Nações Unidas no país (FINUL).
Uma nova ronda de negociações entre os embaixadores do Líbano e de Israel, sob mediação norte-americana, está agendada para quinta-feira, em Washington.
Um acordo de cessar-fogo foi alcançado a 16 de abril entre o Líbano e Israel – em guerra desde 02 de março –, com a duração prevista de dez dias, durante os quais se espera que os dois países negoceiem um plano mais pormenorizado para alcançar uma paz duradoura.
A 2 de março, o Líbano foi arrastado para o conflito regional desencadeado a 28 de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, quando o Hezbollah atacou com morteiros Israel, que a partir de então bombardeou intensamente o sul do país, primeiro com ataques aéreos e depois com uma ofensiva terrestre, com artilharia e blindados.
Apesar do cessar-fogo de duas semanas acordado a 07 de abril entre os Estados Unidos e o Irão, que, em princípio, devia aplicar-se a ambas as partes no conflito e respetivos aliados, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, declarou que este não abrangia o Líbano, e o seu Exército lançou horas depois a maior vaga de ataques aéreos sobre o país desde o início da guerra.
Em apenas dez minutos, Israel bombardeou 100 alvos em território libanês, fazendo pelo menos 254 mortos e 1.165 feridos, segundo a Defesa Civil libanesa, e prosseguiu desde então os ataques, inclusive depois da entrada em vigor da trégua de dez dias.
O conflito fez, até agora, no Líbano, mais de 2 mil mortos e milhares de feridos, e mais de um milhão de civis deslocados internamente, o que representa cerca de um quinto da população libanesa, na sequência de ordens de evacuação do sul do território emitidas pelo Exército israelita.