Anti-inflamatórios e medicamentos para a queda do cabelo. Há fármacos comuns que afetam a fertilidade
- 22/04/2026 01:30
- Redação
Medicamentos que usamos com frequência, para dores, alergias ou até queda de cabelo, podem, em determinados casos, interferir com processos biológicos essenciais à conceção.
Os casais que tentam engravidar devem adotar uma abordagem mais informada e cautelosa porque “os anti-inflamatórios não esteróides – seja o Brufen, o Trifen, o Ibuprofeno – podem interferir com a ovulação ao inibir prostaglandinas, que são essenciais à ruptura do folículo", por exemplo. "O uso próximo do período ovulatório pode, em alguns casos, dificultar a libertação do óvulo", admite o especialista.
“Claro que não é um Brufen que nos vai impedir ovular, mas há doenças reumatológicas, e outras associadas à dor crónica, como a endometriose, que levam os pacientes a tomar regularmente estes anti-inflamatórios. E aí faz diferença”, sublinha Miguel Raimundo.
Outra classe de medicamentos que pode ser problemática é a dos anti-histamínicos. “Muito usados quando há alergias, os anti-histamínicos podem provocar secura vaginal quando usados por longos períodos", explica o investigador. "Isso influencia a progressão dos espermatozoides e pode afetar a fecundação do óvulo no momento da ovulação”, acrescenta.
Já no que se refere a medicamentos de prescrição médica, "os medicamentos para a queda do cabelo, como o Finasteride" (um dos mais usados), são associados, "em alguns casos", a "alterações na qualidade seminal”. Uma situação que também pode acontecer, alerta Miguel Raimundo, com a "toma prolongada de antidepressivos”.
Até a utilização de medicamentos usados no desporto e nos ginásios pode interferir com a fertilidade. Miguel Raimundo diz que “as testosteronas", que "contribuem que a pessoa tenha o corpo mais tonificado e tenha melhores resultados físicos" têm "cada vez mais impacto" nas suas consultas. O investigador explica que “são um tipo de hormonas que podem suprimir a produção natural de testosterona, comprometendo a qualidade dos espermatozoides”.
No entanto, nenhum destes efeitos é permanente. Segundo o especialista, por exemplo, "uma paragem de três a seis meses" na toma de testosterona pode "ser suficiente para conseguir melhores resultados. Já no caso dos antidepressivos, o médico assistente terá de ter uma palavra a dizer”.
Essencial, diz Miguel Raimundo, “é que o casal que recorre à consulta de apoio à fertilidade, para além da história clínica, tenha presente todos os medicamentos que usa habitualmente". "E isto serve tanto para o homem como para a mulher”, remata o especialista.