Malária moldou distribuição das primeiras populações humanas

Malária moldou distribuição das primeiras populações humanas

  • 22/04/2026 14:02
  • Redação

As doenças infecciosas, como a malária, moldaram a forma como as primeiras populações humanas se distribuíram pelos territórios, assumindo um "papel crucial" na definição dos atuais "habitats" da humanidade, conclui um estudo divulgado esta quarta-feira.

"Ao fragmentar as sociedades humanas pelo terrritório, a malária contribuiu para a estrutura populacional que vemos hoje. O clima e as barreiras físicas não foram as únicas forças que moldaram o local onde as populações humanas podiam viver", explicou Andrea Manica, da universidade britânica e um dos autores principais do estudo.

Os investigadores analisaram se a malária induzida pelo parasita "Plasmodium falciparum" moldou a escolha do habitat humano entre 74.000 e 5.000 anos atrás, o período crítico antes da dispersão humana para além de África e antes da agricultura alterar drasticamente a transmissão dessa doença.

As conclusões indicam que a malária, um dos mais antigos e persistentes agentes patogénicos da humanidade, influenciou a escolha desses "habitats", através do afastamento dos grupos humanos dos ambientes de alto risco.

"Ao longo de dezenas de milhares de anos, esta fragmentação moldou a forma como as populações se concentraram, se misturaram e trocaram genes, ajudando a criar a estrutura populacional observada nos humanos de hoje", salientou o estudo.

A investigação utilizou modelos de distribuição de espécies de três grandes complexos de mosquitos, juntamente com modelos paleoclimáticos, que permitiram estimar o risco de transmissão da malária na África subsariana.

Os investigadores cruzaram depois estas estimativas de risco com uma reconstrução do nicho ecológico humano na mesma região e no mesmo período, com os resultados a mostrarem que os humanos evitaram fortemente, ou foram incapazes de persistir, em áreas com elevado risco de transmissão da malária.

Os efeitos destas escolhas "moldaram a demografia humana nos últimos 74 mil anos e, provavelmente, muito antes disso", realçou Andrea Manica.

"Este estudo abre novas fronteiras na investigação sobre a evolução humana", defendeu a professora Eleanor Scerri, também autora do estudo, considerando que forneceu uma "nova estrutura para explorar o papel das doenças na história humana profunda".

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: