Apesar de níveis de mortalidade em excesso, ministra elogia coordenação de serviços num "inverno duro"
- 22/04/2026 15:59
- Redação
"Infelizmente não estivemos sozinhos na mortalidade que referimos. Estivemos com França, Dinamarca, Itália, Suíça, Irlanda e Espanha, porque o inverno foi muito duro para todos", lamentou.
O Governo prometeu na noite desta quarta-feira divulgar o relatório sobre o plano do último Inverno no SNS.
Porém, os dados já conhecidos mostram que há registo de 4685 óbitos acima do esperado. Ou seja, verificou-se um excesso de 21% coincidente com a epidemia de gripe e com os períodos de maior frio registados em dezembro e janeiro.
Este excesso atingiu todas as regiões de Portugal continental, embora a duração deste período tenha sido variável entre regiões.
Os dados indicam também que o pico da gripe ocorreu entre o Natal e a 1ª semana de 2026, com "grande pressão nos serviços de saúde". Nesta altura, o INEM teve mais de 5.000 chamadas/dia, a Linha SNS 24 atendeu mais de 25.000 e os serviços de urgência registaram mais de 10.000 episódios/dia e altas administrativas inferiores às necessidades de internamento.
De acordo com os dados dos excessos de mortalidade por todas as causas identificados durante as epidemias de gripe em Portugal que constam deste documento, no outono/inverno de 2024/2025 houve 1.609 óbitos em excesso, em 2023/2024 foram 3.624 e em 2022/2023 foram 1.959, com dois picos: 1.423 (epidemia de gripe) e 536 (vaga de frio).
O excesso de mortalidade é o reflexo de um conjunto cumulativo de situações que se sobrepõem e que têm grande impacto na saúde das populações, entre eles as doenças próprias do envelhecimento, a que se associam comorbilidades, fatores sociais e falta de capacidade de aquecimento das casas (pobreza energética).