Internamentos sociais voltam a aumentar. Já ocupam 13,9% das camas do SNS

Internamentos sociais voltam a aumentar. Já ocupam 13,9% das camas do SNS

  • 22/04/2026 19:01
  • Redação

2.807 pessoas permanecem no hospital por não terem para onde ir. Entre março de 2025 e março de 2026, o número de camas ocupadas por doentes com alta clínica aumentou 19%. Uma situação que custa aos cofres do Estado 351 milhões de euros por ano, mais 63 milhões do que no ano anterior.

Os resultados da 10ª edição do Barómetro de Internamentos Sociais da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares (APAH) mostram que a situação tem vindo a piorar a cada ano que passa.

Xavier Barreto, presidente da APAH, fala numa situação muito preocupante e dramática. Diz que este agravamento "tem consequências graves", primeiramente "para as pessoas que estão nesta situação, porque correm o risco de contrair infeções hospitalares ou ter uma queda". "Muitas acabam por morrer no hospital enquanto esperam por uma resposta alternativa”, lamenta o responsável.

Mas as consequências são também para o próprio funcionamento do hospital, porque “quando não existem camas para fazer cirurgias, não se fazem cirurgias". "Quando não existem camas para internar, os doentes acumulam-se no serviço de urgência e, naturalmente, dificultam o atendimento de novos doentes", acrescenta.

"Os internamentos sociais pressionam a capacidade de resposta do SNS, com impacto direto na eficiência dos serviços e no acesso aos cuidados”, refere a APAH.

13,9% das camas do SNS estão ocupadas com internamentos inadequados. No ano passado eram 11%. Este aumento significa um agravamento de mais de 60 milhões de euros nos custos para o Estado, para um total de 351 milhões de euros. “Passamos de 2.300 pessoas no ano passado para mais de 2.800 este ano”, diz Xavier Barreto, para quem a estimativa de 350 milhões de euros está abaixo da realidade. O responsável acredita que “o custo é muito superior, tanto em custos diretos como nos indiretos, para a sociedade como um todo”.

No total, os serviços do SNS registaram 439.871 dias deste tipo de internamentos no espaço de um ano, mais 20% do que na análise anterior.

Já o tempo médio dos internamentos sociais manteve-se praticamente inalterado - 157 dias a nível nacional - embora haja assimetrias relevantes, que vão dos 239 dias na Região Norte ou 124 em Lisboa e Vale do Tejo, aos 32 dias no Alentejo.

A análise revela também que as regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte são responsáveis por 85% do total dos internamentos inapropriados.

A nível nacional, a falta de resposta da Rede Nacional de Cuidados Continuados foi responsável pela maior parte (45%) dos internamentos inapropriados, acima dos 38% do ano anterior. Este é o principal motivo de internamento social em todas as regiões do país.

Outras causas relevantes, como situações sociais e familiares complexas, também têm um peso significativo. Segundo Xavier Barreto, “é fundamental apostar no reforço da capacidade instalada fora do hospital e uma agilização dos processos legais, em particular no que toca ao Regime do Maior Acompanhado, que continua a constituir um bloqueio à alta hospitalar.

“O investimento no apoio domiciliário e nos cuidadores deve também ser encarado como uma prioridade estrutural”, acrescenta. “A melhor resposta em termos de resultados em saúde e de custos é manter estas pessoas nos locais onde sempre viveram”.

Para isso, o presidente da Associação de Administradores Hospitalares aconselha o Governo a apoiar os cuidadores informais e a criar equipas de cuidados domiciliários que vão a casa das pessoas para ajudar nas tarefas do dia-a-dia. E lembra que estão em curso projetos-piloto “Sad+Saúde" que, no fundo, fazem exatamente isto: são equipas que, para além da mera prestação de cuidados de higiene, dão apoio na toma de medicação, tratamento de roupa e limpeza da casa, serviços de teleassistência, pequenas obras e acompanhamento”. Xavier Barreto espera que “o Governo avalie muito rapidamente estes projetos-piloto", que "são cinco", e passe a "disseminá-los por todo o país”.

"É absolutamente urgente, fundamental, se quisermos ter uma política mais estruturada, mais consistente para a terceira idade e para este problema dos chamados internamentos sociais”, remata.

  • Fonte: Rádio Renascença
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