"Quando somos nós a querer avançar para a liderança, há coragem. Quando são os outros, é taticismo?"

  • 22/04/2026 20:00
  • Redação

Mariana Vieira da Silva "não se revê" nas acusações de taticismo dirigidas por Pedro Nuno Santos a camaradas de partido no regresso ao Parlamento após auto-suspensão do seu mandato de deputado nos últimos seis meses.

Pedro Nuno Santos não identificou a quem se referia quando falou em "taticistas que estão à espera que venham tempos mais fáceis para o PS para avançar para a liderança". Mariana Vieira da Silva não enfia a carapuça: "Se fosse para mim, acho que ele me teria dito", responde.

A deputada defende-se, alegando que "não há nenhum dia dos últimos muitos anos da minha vida, que eu não tenha passado a dedicar-me ao Partido Socialista, qualquer que seja o seu líder, na procura do melhor resultado possível para o PS".

Entre os nomes geralmente apontados à oposição interna, apenas Duarte Cordeiro optou por afastar-se deliberadamente da Comissão Política do partido. Se a crítica de Pedro Nuno era dirigida ao ex-ministro do Ambiente, Mariana Vieira da Silva não a considera justa. "Não me revejo nessa crítica, seja ela dirigida a quem for", esclarece.

Pedro Nuno Santos reentrou na atmosfera parlamentar, afirmando que o PS "não precisa de taticistas, mas de gente com coragem". Mariana Vieira da Silva anota dois pesos e duas medidas do ex-líder nas qualificações usadas sem nomear o alvo.

"Não podemos sistematicamente achar que, quando nos disponibilizamos para os lugares e as lideranças dos partidos, somos corajosos. E quando os outros mostram a mesma disponibilidade, são taticistas", replica a ex-ministra socialista.

Mariana Vieira da Silva recomenda implicitamente a Pedro Nuno Santos que se certifique se há vidros no telhado do projeto que construiu para chegar à liderança.

"Certamente muitas pessoas também acharam que, quando em 2018 Pedro Nuno Santos se apresentou no Congresso da Batalha – ainda o governo do PS ia no início –, muita gente tenha considerado isso taticismo. Eu não considerei. Acho que isso faz parte da vida política", clarifica a deputada socialista.

Sobre o que é ou não coragem, Mariana Vieira da Silva entrega esses louros a todos, incluindo Pedro Nuno Santos e Duarte Cordeiro, sem os nomear. " A disponibilidade que as pessoas têm para trabalhar politicamente, para fazer trabalho em nome do seu partido e, eventualmente um dia, caso o entendam, liderá-lo, é sempre um ato de coragem".

Para a ex-ministra, "os partidos precisam de todos, deve sempre haver alternativa, deve sempre haver diálogo e debate interno nos partidos que, como grandes partidos que são, têm as suas divergências".

Questionada mais uma vez sobre a ausência de candidatos alternativos a José Luís Carneiro, Mariana Vieira da Silva lembra que defendeu outro calendário interno mas " as coisas são como são".

No seu regresso ao Parlamento, Pedro Nuno Santos não deixou de vincar o "muito que o distancia" de José Luís Carneiro, apesar de serem do mesmo partido, reafirmando a sua oposição a uma "estratégia centrista".

Ao longe, no estrangeiro, Mariana Vieira da Silva torce o nariz a este discurso do ex-líder. "Num primeiro dia de um regresso, fazer divisões quer face ao secretário-geral quer face a outros, não parece a coisa mais importante agora", contrapõe a ex-ministra do PS.

A deputada só concorda com o início dos três minutos de intervenção de Pedro Nuno Santos nos Passos Perdidos. "Todos somos poucos para combater um governo muito incompetente e que defende coisas das quais nós discordamos para o país. Então, se todos somos poucos, então, concentremo-nos no essencial", aconselha Mariana Vieira da Silva que lembra o direito do ex-líder ao seu mandato.

Para o social-democrata Duarte Pacheco, o regresso do ex-líder do PS é um direito totalmente legítimo. "Mas Pedro Nuno Santos nunca é capaz de estar só por estar, e portanto vai querer marcar uma posição política", assegura o ex-deputado do PSD.

O social-democrata não tem dúvida que Pedro Nuno Santos será um embaraço para José Luís Carneiro no Parlamento. "Poderemos ver isso brevemente, quando chegar o próximo Orçamento de Estado, em que certamente ele vai suspender outra vez o mandato ou, porventura, vai ter que votar de uma forma diferente face ao Partido Socialista", sugere Duarte Pacheco.

O ex-deputado do PSD diz que "fica mal" a Pedro Nuno Santos "entrar para vir destabilizar o Partido Socialista", sustentando que não faz sentido "começar desde já aos tiros, desviando a atenção para uma eventual crise interna no Partido Socialista, depois da Comissão Política ter sido eleita e de haver sondagens simpáticas para o Partido".

  • Fonte: Rádio Renascença
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