Máximos de consumo de psicofármacos no SNS. "Estes dados não refletem, necessariamente, uma epidemia de depressões"
- 23/04/2026 05:48
- Redação
O presidente do Conselho de Especialidade de Psicologia Clínica e da Saúde da Ordem dos Psicólogos, Miguel Ricou, defende que o aumento do consumo de antidepressivos e antipsicóticos é demonstrativo da "acessibilidade limitada às intervenções em saúde mental".
Estes doentes continuam sem ter "acesso a cuidados de saúde mental integrados, nomeadamente àquilo que é a consulta com o psiquiatra e também com o psicólogo". Esta "associação das intervenções promove melhores resultados, como todas as indicações revelam".
"Só assim é que podemos começar a tentar ver estes números diminuírem", explica este especialista.
Miguel Ricou diz que, sem esse tratamento integrado, o país está "a gastar seguramente muito mais recursos" e também "a obter cuidados de menor qualidade para as pessoas", um quadro que, "evidentemente, tem que nos preocupar".
No entanto, o presidente do Conselho de Especialidade de Psicologia Clínica e da Saúde da Ordem dos Psicólogos também vê indicadores positivos nestes números agora conhecidos, o que deve ser associado "a uma maior sensibilidade, a uma maior literacia das pessoas, a uma maior atenção àquilo que são os problemas de saúde mental e, portanto, a uma maior procura de ajuda a esse nível".
"Estes dados não refletem, necessariamente, uma epidemia de depressões", enfatiza.
Além disso, a estatística "mostra uma outra coisa positiva" e que corresponde "a um conjunto de alertas que os profissionais de saúde mental foram sempre deixando", de que "havia um uso excessivo de benzodiazepinas". Agora, "começa a haver uma mudança".
Os dados "podem refletir uma alteração no padrão de prescrição, em que vamos transportando aquilo que eram algumas coisas das benzodiazepinas para os antidepressivos e até para os antipsicóticos", explica Miguel Ricou.