Falta transparência no processo de correção dos exames do secundário

Falta transparência no processo de correção dos exames do secundário

  • 23/04/2026 10:34
  • Redação

A Missão Escola Pública (MEP) quer saber quem beneficia com a digitalização dos exames nacionais do Ensino Secundário, um processo que considera estar rodeado de “opacidade”.

Os alunos do secundário fazem exame no 11º e 12º anos em suporte de papel, mas a sua classificação vai ser feita em formato digital, com respostas distribuídas por diferentes professores corretores. Para que tal aconteça todos os exames vão ter de ser digitalizados e é sobre este processo que a MEP coloca uma série de questões, desde logo, “quem vai digitalizar os exames e por que mãos vão passar?”

Cristina Mota diz que “as escolas não conhecem os procedimentos e não sabem qual o percurso dos exames depois de saírem das mãos dos alunos”.

O documento que contém as informações sobre os exames, que chegou às escolas em março (Norma02/JNE/2026), é omisso, o que leva Cristina Mota a dizer que “existe uma opacidade relativamente a este novo processo”.

Cristina Mota esclarece que enquanto essa mesma norma “explicita o envio de componentes de provas para um centro de digitalização no ensino básico”, sobre os exames do ensino secundário, “quer a mesma norma quer o regulamento aprovado pelo Despacho Normativo n.º 3/2026” referem o envio das provas para classificação nos agrupamentos do Júri Nacional de Exames (JNE), cujo número foi cortado em janeiro para cerca de metade, sendo agora 17, “não explicitando onde e como ocorre a sua digitalização”.

Para a MEP “está em causa a confiança no sistema e a integridade de um processo que deve ser absolutamente seguro e rigoroso”.

Cristina Mota pergunta “quem está a ganhar com este novo processo?”, denunciando que o “processo de avaliação está a ser moldado para caber na tecnologia”.

Denuncia ainda que para se fazer a digitalização dos exames, “multiplicam-se cadernos de resposta e folhas separadas por questão, aumentando o consumo de papel”.

A porta-voz da MEP antecipa ainda que este ano o “número de pedidos de acesso ao exame, após a divulgação das pautas, vai aumentar e provavelmente o número de recursos também irá aumentar”, porque os alunos vão “pretender verificar se o exame que lhe foi classificado contem todos os itens a que respondeu”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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