Há gigantes no Buçaquinho. E são feitos de histórias
- 24/04/2026 00:30
- Redação
O Parque Ambiental do Buçaquinho, em Esmoriz, volta a ser palco de um encontro onde a literatura infantil se cruza com múltiplas linguagens artísticas.
Entre 25 e 30 de abril, regressa o festival “Gigantes Invisíveis”, uma iniciativa dedicada aos mais novos leitores que aposta na imaginação, no brincar e na liberdade como motores de crescimento.
Ao longo de mais de uma década, o evento tem vindo a afirmar-se como um espaço de encontro entre livros, teatro, dança e outras formas de expressão.
Este ano, a programação propõe uma novidade: várias atividades a decorrer em simultâneo, convidando famílias e crianças a explorarem o parque como quem percorre um mapa à descoberta de “gigantes invisíveis”, espalhados por diferentes estações.
O dia 25 de abril, data simbólica que marca o arranque do festival, concentra uma parte significativa da programação. Entre as propostas estão espetáculos de teatro, sessões de contos, performances e oficinas.
A companhia de teatro Kopinxas abre as atividades com uma “aula teatral”, seguida da apresentação da autora Sara Aidos, que convida o público a entrar na história “Na Mala de Afonso”. A tarde inclui ainda conversas literárias, teatro tradicional de robertos e propostas que cruzam dança e narrativa.
Um dos destaques é o espetáculo “O Pai que se tornou Mãe”, baseado num texto de José Eduardo Agualusa, que aborda questões de identidade de forma acessível às crianças.
Para Pedro Saraiva, estes temas não são problemáticos para os mais novos: “as crianças lidam bem com a diferença, isso é mais uma questão dos adultos”, defende.
A programação integra também atividades de cariz ambiental, tirando partido do espaço natural do parque. Oficinas como “Vamos clonar plantas” reforçam a ligação entre literatura, ecologia e participação comunitária, uma das linhas orientadoras do projeto.
Outro dos eixos do festival passa pela valorização de novos criadores. A organização procura dar espaço a autores emergentes, como jovens escritores e criadores de conteúdos digitais, promovendo o contacto com diferentes formas de relação com os livros.
Ao mesmo tempo, mantém-se a ligação à tradição, com a presença de expressões como o Teatro Dom Roberto, reinterpretado por novas gerações.
Além das atividades abertas ao público, o programa inclui iniciativas dirigidas às escolas do concelho de Ovar, entre 27 e 30 de abril, garantindo o acesso a experiências culturais a um maior número de crianças.
Num contexto em que o digital ocupa cada vez mais espaço no quotidiano, o festival assume-se como um lugar de equilíbrio.
Pedro Saraiva é da opinião que livros e tecnologia não são incompatíveis: “podem coexistir e até complementar-se”. Ainda assim, destaca a importância da experiência sensorial do livro físico, enquanto objeto que também convida ao jogo e à descoberta.
Com entrada gratuita, os “Gigantes Invisíveis” voltam assim a transformar o Parque do Buçaquinho num território de histórias.