Conferência debate inclusão de trabalhadores com mais de 55 anos no uso de Inteligência Artificial

Conferência debate inclusão de trabalhadores com mais de 55 anos no uso de Inteligência Artificial

  • 24/04/2026 02:00
  • Redação

O Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP) realiza esta segunda-feira uma conferência sobre a digitalização e o uso de Inteligência Artificial (IA) no mercado de trabalho, especialmente focada na inclusão de pessoas acima dos 55 anos.

O evento, intitulado “IA e Digitalização no trabalho: competências, inclusão e responsabilidade com foco nos trabalhadores 55+”, pretende "reunir decisores políticos, responsáveis institucionais e especialistas das áreas da saúde, recursos humanos, gestão e tecnologia, entre outras, para debater o impacto da digitalização e da inteligência artificial nas pessoas, no trabalho e nas desigualdades sociais".

A vontade é de encontrar soluções para ajudar trabalhadores acima dos 55 anos a integrarem-se melhor num mercado de trabalho em rápida transformação.

"Não é um evento que pessoas que passam só para fazer breves comunicações. Queremos criar espaços de debate público para todos refletirem sobre este tema que nos preocupa a todos", indica.

Estas pessoas necessitam de ser ajudadas, até porque quem tem acima de 50 anos ainda vai continuar no trabalho mais 16 anos e os seus contributos vão continuar a ser úteis.

"Têm um capital intelectual que é necessário aproveitar. Têm uma experiência de vida que é necessário rentabilizar e que os jovens não têm ainda", defende.

Mas também os mais jovens estão a ser afetados por esta mudança tecnológica frenética. E a IA "está a acelerar este processo de uma forma que nunca foi vista anteriormente".

Anabela Mesquita aponta que "os alunos entram no primeiro ano e não se sabe se quando saírem no terceiro ano a profissão vai existir da mesma maneira".

"Aquilo que temos de fazer é prepara os alunos para algo muito mais flexível, para não ficarem presos a uma ideia", realça.

E sobre a IA na vida de jovens estudantes universitários, esta professora do ISCAP admite que é "totalmente aberta à IA", usando-a na sala de aula com alunos e investigando as suas possibilidades.

Anabela Mesquita acredita que "a melhor forma de ajudar os alunos a usar IA fora da sala de aula, é usando a IA com eles e acompanhando-os".

No entanto, a professora sublinha que "há regras para usar a IA" e é necessário desmistificar o seu uso.

"A IA ainda não é 100% segura. É preciso mostrar aos alunos que isto tem de ser tido em consideração. Eles, no fundo, também vão dando conta disso. Mas nós professores também temos responsabilidade de os ir ensinando a usar a IA de uma forma responsável e ética. E isto só se faz se usarem a IA com a nossa orientação", explica.

E isto implica que "os próprios professores também tenham formação e a própria instituição académica deve ser responsável por isso", tal como acontece no caso do ISCAP, segundo Anabela Mesquita.

Já sobre a necessidade de legislar e regular o uso de IA em várias áreas, incluindo no mercado de trabalho, esta especialista que a lei deverá ir a reboque do que for acontecendo.

"Sinto que será necessário que haja legislação, mas primeiro as coisas acontecem", acrescenta.

  • Fonte: Rádio Renascença
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