Pilotos portugueses dos F-16 demorariam cerca de um ano para dominar caça suecos Gripen
- 24/04/2026 06:24
- Redação
Os pilotos portugueses que operam os F-16 demorariam cerca de um ano a dominar todas as capacidades do caça sueco Saab JAS 39 Gripen E, desenvolvido com tecnologia de ponta e atualmente promovido pela Saab para o mercado português.
A estimativa foi avançada por Jussi Halmetoja, piloto de testes do Gripen e consultor da Saab, durante uma demonstração realizada em Linköping para a imprensa portuguesa.
Segundo o responsável, a adaptação inicial para missões de combate ar-ar pode ser feita em três a quatro meses, mas a formação completa poderá demorar cerca de um ano.
A Saab posiciona-se numa fase em que Portugal terá de decidir os sucessores da sua frota de F-16, já em fim de vida.
Na corrida estão também os norte-americanos da Lockheed Martin, com os F-35 Lightning II, e o consórcio europeu que inclui a Airbus, com os Eurofighter Typhoon.
De acordo com o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, o processo ainda não está formalmente aberto, embora os concorrentes já estejam a apresentar propostas e capacidades.
O Gripen-E está preparado para cenários de guerra eletrónica avançada e incorpora tecnologia AESA (radar de varrimento eletrónico ativo).
Entre as capacidades destacadas está a flexibilidade de software, permitindo que configurações sejam alteradas de manhã e aplicadas operacionalmente no próprio dia.
Outro ponto forte é a logística: o caça pode ser reabastecido e rearmado em cerca de 15 minutos, num processo que envolve apenas cinco pessoas, descrito como semelhante a uma paragem nas boxes da Fórmula 1.
O Gripen pode ainda ser reabastecido em voo por um Embraer KC-390, aeronave adquirida por Portugal à Embraer.
Sem avançar valores concretos, Daniel Boestad, vice-presidente da área Gripen, afirmou que o custo total do programa ao longo do seu ciclo de vida poderá rondar “um terço” face aos concorrentes.
Além disso, a Saab aponta para uma taxa de disponibilidade entre 80% e 90%, permitindo mais aeronaves operacionais durante mais tempo, fator relevante para missões como controlo do espaço aéreo e vigilância marítima, especialmente importantes para Portugal.
O Gripen tem ainda a capacidade de operar a partir de estradas civis, segundo Johan Segertoft, responsável da área.
Face à classificação do Gripen como caça de geração 4.5, em contraste com os F-35 de quinta geração, a Saab relativiza essa distinção.
“Estamos só a criar uma ilusão coletiva da próxima grande novidade”, afirmou Johan Segertoft, defendendo que a eficácia em combate é mais relevante do que a classificação teórica.
Ainda assim, o responsável reconheceu que o F-35 não é um caça de má qualidade, mas sim um aparelho desenvolvido com objetivos diferentes.
A Saab admite instalar produção de componentes do Gripen em Portugal, independentemente da decisão de compra.
Contudo, segundo Daniel Boestad, um eventual negócio com o Estado português poderá abrir portas a operações mais abrangentes, como assemblagem final, manutenção e reparação em território nacional.
O responsável sublinhou ainda a questão da independência tecnológica: “Escolhendo o Gripen, não há caixas negras (…) o cliente terá transparência e poderá participar no desenvolvimento”.