NATO afasta expulsão de Espanha e lembra que tratado não permite sanções
- 24/04/2026 10:48
- Redação
A NATO afastou a hipótese de expulsar Espanha, ideia sugerida por responsáveis dos Estados Unidos, esclarecendo que o tratado fundador não prevê qualquer mecanismo de suspensão ou expulsão de Estados-membros.
Segundo a organização, o Tratado de Washington apenas permite a saída de um país por decisão própria, mediante notificação formal, não existindo outras formas de afastamento.
A polémica surgiu após notícias de que um e-mail interno do Pentágono equacionava medidas para punir aliados considerados pouco colaborativos nas operações contra o Irão, incluindo a possibilidade de suspender Espanha da NATO.
Segundo uma fonte norte-americana citada pela Reuters, o documento inclui propostas como a suspensão de Espanha da Aliança Atlântica e até uma eventual revisão da posição dos EUA sobre a soberania britânica das Ilhas Malvinas.
As opções foram delineadas numa nota elaborada por Elbridge Colby, principal conselheiro político do Pentágono, onde é expressa frustração com a falta de cooperação de alguns aliados. Em causa está a recusa ou relutância em conceder aos EUA direitos de acesso, base e sobrevoo (ABO) para operações contra o Irão.
Entre as medidas sugeridas, está também a possibilidade de afastar países considerados “difíceis” de cargos de destaque ou posições influentes dentro da NATO, sinalizando um endurecimento da postura norte-americana face aos aliados europeus.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, já desvalorizou o tema, afirmando não ter recebido qualquer queixa oficial e reforçando que Espanha é um “parceiro leal” da Aliança.
Sánchez reiterou ainda que o país coopera com os aliados, mas sempre dentro do direito internacional, sendo também uma das vozes mais críticas da guerra no Irão, que considera “profundamente ilegal”.
Espanha, juntamente com França e Itália, recusou apoiar diretamente as operações, decisão que Donald Trump classificou como pouco colaborativa, tendo também pressionado os europeus a assumir maior responsabilidade na região.
O Presidente norte-americano chegou mesmo a ameaçar retirar os EUA da NATO caso a Europa não aumente o seu envolvimento no conflito e na segurança do estreito de Ormuz.