Menos Orbán, mais UE? Imigração e Defesa serão provas de fogo para Magyar

  • 24/04/2026 11:29
  • Redação

Com Pedro Húngaro (Péter Magyar) no poder, o governo de Budapeste “não estará disposto a tudo”. Ainda assim, na leitura de Almeida Sande, o futuro primeiro-ministro húngaro irá repor a relação com a União Europeia, “afastando-se, e esse é talvez o ponto mais importante, da influência russa. A Rússia deixa de ter um aliado, ainda por cima um aliado que lhe fornecia informação sensível do que se passava na União Europeia e nas instituições europeias”.

Questionado sobre qual será a grande “prova de fogo” de Péter Magyar perante os restantes 26 da Europa, Paulo Almeida Sande responde com duas palavras “Imigração e defesa”.

Ainda foi com Orbán que a Hungria desbloqueou os 90 mil milhões para a Ucrânia, mas já cheira a Péter Magyar?

Certamente. Não há coincidências e o facto de Vitor Orbán ter sido derrotado, da forma como foi, e sobretudo esta orientação de um partido que é mais europeísta, pelo menos, do que era o de Orbán - que era provavelmente muito mais alinhado com Moscovo - acaba por ser um sinal positivo. É um sinal de que de facto a Ucrânia vai poder contar com uma verba que é absolutamente essencial para continuar de fundo a resistir à Rússia.

Magyar deixou bem claro que...aliás, ele nunca esteve disposto a tudo. Ele tem um discurso duro em muitas matérias. Agora ele efetivamente acaba por repor, digamos assim, a relação com a União Europeia, mas assegurando que o seu interesse e os interesses que defenderá continuarão a ser os interesses da Hungria, afastando-se - e esse é talvez o ponto mais importante em tudo isto - da influência russa. A Rússia deixa de ter um aliado, ainda por cima um aliado, que lhe fornecia informação sensível do que se passava na União Europeia e nas instituições europeias.

Acredita, portanto, que agora, com maiores ou menores resistências ainda assim, menos Orbán será mais Europa?

Certamente. Posso ter uma grande surpresa, já tenho tido várias porque as coisas são hoje em dia tão rápidas e mudam tanto..., mas, na verdade, tudo indica que sim, que vai haver uma Europa, apesar de tudo, mais alinhada. E quando eu digo mais alinhada é mais capaz de garantir consensos em matérias decisivas. Isto é, nós sabemos que atualmente os interesses nacionais são muito prevalecentes, são muito importantes em cada país, há sensibilidades que por vezes separam muito cada Estado, interesses nacionais e até questões ideológicas. Enfim, sabemos que há outros países que estão um bocadinho na mesma linha, enfim, há este crescimento dos partidos ditos populistas ou de extrema-direita, como lhes quisermos chamar, mas a verdade é que o facto de a Hungria deixar de estar sistematicamente contra tudo aquilo que é essencial, que é crucial, que está no coração da política europeia nos tempos que ocorrem, é talvez uma boa notícia, é positivo. Dito isto, não sabemos o que vai acontecer no futuro próximo.

Qual será a verdadeira prova de fogo para os restantes 26 de Péter Magyar? Acontecerá, por exemplo, quando se falar da imigração?

Imigração e Defesa, sem dúvida nenhuma. Eu julgo que a Europa está muito alinhada em matéria, por exemplo, de desenvolvimento industrial...esta tentativa de criar empresas europeias, aquele 28º regime que permite, no fundo, haver uma espécie de reconhecimento muito rápido e quase que imediato das empresas criadas na Europa.

Há de facto muitas coisas a serem feitas neste momento no seio da União Europeia, mas há duas ou três matérias que são decisivas. Uma delas é, sem dúvida, a imigração. É aquela que talvez afaste mais uns e outros, que alimente mais movimentos e propostas demagógicas e, de alguma forma, maximalistas...

Aí a posição de Peter Magyar não será, provavelmente, muito distinta da posição de Viktor Orbán...

Não. Ele é muito claro sobre isso. Obviamente que os húngaros estão cansados desta sistemática oposição à Europa, mas estão sobretudo cansados da corrupção. E toda a campanha de Magyar, nos últimos dois anos, que é basicamente o tempo que ele tem desde que passou de um membro do Fidesz do meio da tabela, para futuro Primeiro-Ministro, foi feita sobretudo com base na luta contra a corrupção. A questão da imigração foi mantida por ele, sempre, num registo muito cauteloso e, sobretudo, muito nacionalista também.

É um bocadinho a tendência de toda a Europa, se quisermos. Neste momento, há poucos países a fugir dessa tendência...e depois é a questão da defesa. Eu acho que a questão da defesa é muito importante. E a forma, por exemplo, como a defesa mútua da União Europeia, não digo necessariamente como alternativa à Nato - nisso os tratados são claros, é no âmbito, na relação e na colaboração e na cooperação com a Nato, que essa defesa mútua da Europa se deve afirmar. Mas aí vai haver necessidade de os países alinharem as suas políticas, é muito importante.

  • Fonte: Rádio Renascença
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