Biodiversidade em 36% dos habitats pode desaparecer devido ao clima extremo até 2085

Biodiversidade em 36% dos habitats pode desaparecer devido ao clima extremo até 2085

  • 24/04/2026 19:32
  • Redação

A novidade do artigo reside na sua abordagem, que não só modela o impacto do aumento das temperaturas nos ecossistemas terrestres, mas também a acumulação de eventos extremos, como é típico na maioria dos casos, em que um fenómeno leva a outro (ondas de calor, incêndios, secas).

Especificamente, os modelos complexos utilizados incluem projeções de ondas de calor, incêndios florestais e inundações, com base em diferentes cenários de aumento de temperatura, dependendo do grau de redução das emissões.

Os autores observaram que, se os atuais níveis de aquecimento persistirem, em 2050, 74% dos animais nos seus atuais habitats terrestres estarão expostos a ondas de calor, 16% a incêndios florestais, 8% a secas e 3% a inundações fluviais.

Isto inclui áreas importantes ricas em biodiversidade na bacia do Amazonas, África e Sudeste Asiático.

Se as alterações climáticas não forem mitigadas, 36% da biodiversidade terrestre terá desaparecido até 2085.

Os modelos indicam, no entanto, que se as emissões forem rapidamente reduzidas a zero líquido até meados do século, estes impactos poderão ainda ser largamente evitados.

Num cenário em que o aquecimento comece a inverter-se na segunda metade do século, o habitat dos animais terrestres que sofreria eventos climáticos extremos cumulativos até 2085 estaria limitado a apenas 9%.

"Ao planear a conservação da biodiversidade com base nos impactos climáticos, é crucial considerar que não só assistiremos a uma mudança gradual da temperatura, mas também a uma combinação de eventos extremos", realçou uma das autoras, Stefanie Heinicke, investigadora do PIK.

Os últimos anos já demonstraram o efeito devastador da acumulação de eventos extremos nas espécies, como no caso da Austrália, onde os graves incêndios florestais de 2019-2020 foram seguidos de uma seca severa, que levou a uma redução entre 27% e 40% das espécies vegetais e animais nas áreas afetadas.

"Ainda podemos evitar chegar a este extremo reduzindo as emissões o mais rapidamente possível, a partir de hoje", concluiu Heinicke.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: