Papa pede maior envolvimento dos cidadãos na política como forma de combater o populismo
- 25/04/2026 06:33
- Redação
O Papa Leão XIV considera que “o melhor antidoto para o populismo” e para o elitismo é envolver as pessoas no processo político. Numa audiência este sábado, no Vaticano, com representantes do Partido Popular Europeu, no Parlamento Europeu, o Papa lembrou que um dos principais problemas na política, nos últimos anos, é o “declínio na harmonia, cooperação e compromisso mútuo entre os cidadãos e os seus representantes” e pediu um maior envolvimento entre ambos.
“Podemos dizer metaforicamente que, na era do ‘triunfo digital’, a ação política verdadeiramente orientada para o bem comum exige um regresso ao ‘analógico’. Talvez este seja o verdadeiro antídoto para uma política que grita com frequência, que consiste apenas em slogans e é incapaz de responder às necessidades reais das pessoas”, sublinhou.
Neste encontro com parlamentares europeus, Leão XIV afirmou, ainda, que a principal tarefa da atividade política é “perseguir um ideal”, o que “não significa glorificar uma ideologia”. Para Leão XIV, as ideologias resultam de “uma distorção da realidade e de uma certa violência imposta”.
“Qualquer ideologia distorce as ideias e subjuga as pessoas à sua própria agenda, sufocando as suas verdadeiras aspirações, o seu desejo por liberdade, felicidade e bem-estar pessoal e social. A própria Europa moderna nasceu do reconhecimento do fracasso dos projetos ideológicos que a destruíram e dividiram”, enfatizou, destacando a importância de ter sempre o ser humano no centro.
Na audiência deste sábado, em que lembrou que o Papa Francisco frisava que a “unidade é superior ao conflito”, Leão XIV afirmou, ainda, que “ser cristão na política significa permitir que as decisões sejam guiadas pelo Evangelho, “mesmo aqueles que não geram consensos fáceis”.
“Significa trabalhar para preservar a conexão entre a lei natural e a lei positiva, e entre as raízes cristãs e a ação política”, disse, referindo ainda a necessidade de os cristãos adotarem “uma perspetiva realista” sobre “as preocupações concretas das pessoas” e de investirem “na liberdade”, assente na verdade e na salvaguarda da liberdade religiosa.