"Quero que o meu filho saiba o que é viver em liberdade". Desfile da Liberdade juntou mais de 10 mil pessoas no Porto

"Quero que o meu filho saiba o que é viver em liberdade". Desfile da Liberdade juntou mais de 10 mil pessoas no Porto

  • 25/04/2026 15:10
  • Redação

“Se eu pudesse escolher uma data, um marco da história que gostasse de ter assistido e vivido, era o 25 de Abril”, diz, enquanto encosta a si o filho de dois meses que dorme ao colo, como que indiferente à euforia que o rodeia.

Carina não é caso único. Para lá dos slogans, a imagem que fica do Desfile da Liberdade é a de muitas famílias, pais e filhos, que se juntaram à festa.

Emocionada, esta mãe de um menino de apenas dois meses reconhece que "não saberia viver sem liberdade". Nela nasceu e cresceu. Nunca conheceu outro regime.

“O meu filho tem só dois meses, mas eu quero que saiba o que é viver em liberdade, o que é o povo sair à rua e lutar pelos seus direitos”.

Só três horas depois é toda a marcha chegou à Avenida dos Aliados, quando os mirandeses Galandum Galundaina animavam a rua cheia de gente com algo para dizer.

Da saúde à habitação, do custo de vida à guerra, da precariedade ao futuro incerto.

Preocupações que Fernando e Dinis, pai e filho, partilham e que os trouxe à rua nesta tarde de sábado. Sem slogans políticos, ou outras frases feitas e tantas vezes repetidas nesta ocasião.

Trouxeram a bandeira de Portugal, “porque trata-se da liberdade que queremos para o nosso país”, diz o pai.

“Estamos aqui pelo meu filho, que tem 15 anos… para ele perceber o que são os valores de Abril”, acrescenta Fernando, que não esconde o receio pelo que a desinformação pode fazer aos jovens nestes tempos de incerteza.

“Temos de dizer-lhes a eles que isto é preciso, porque um povo com medo não tem futuro”, conclui.

Dinis recusa pensar que, um dia, viverá com medo de não poder exprimir-se livremente, como sempre fez.

O que este jovem de 15 anos sabe do período anterior a 25 de Abril de 1974 foi-lhe contado pela memória familiar e pelos livros de História.

Sabe que “antigamente não havia liberdade de expressão” e espera que, quando for adulto esse património se mantenha intacto.

“Espero um dia não perder os direitos que tenho, porque só assim será possível nós podermos viver neste país”, acrescenta.

Palavras que exprimem o receio de uma geração que teme viver pior do que os pais. Leonor estuda Ciências do Mundo Aquático. Veio celebrar a revolução de traje académico. Ela e as colegas de curso.

“Nós somos o futuro, mas precisamos de ter um futuro”, lembra esta jovem que receia que tudo aquilo que os pais fizeram para lhe assegurar uma vida estável seja “deitado a perder pela indiferença e pelos conflitos que, mesmo não sendo cá em Portugal, mexem com a vida de todos”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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