O vestido vermelho de Margarida e os "tempos de escuridão", segundo Seguro
- 25/04/2026 15:28
- Redação
“Nós precisamos, nestes tempos de escuridão, de ter identidade, de ter valores e de ter princípios”, disse Seguro depois de ouvir as intervenções de vários jovens sobre aquilo que os preocupa, nomeadamente, sobre participação cívica, tendo ouvido, por exemplo, a intervenção de um membro do Conselho Nacional de Juventude (CNJ) sobre a forma de “abrir mais” os partidos à sociedade civil e de ter “mais pessoas” ligadas ao sistema eleitoral.
Os jovens têm, de resto, estado na mira de Seguro desde a campanha eleitoral para Belém e o Presidente da República pede-lhes uma espécie de sobressalto cívico.
“Mudem a política para mudar o país. Entrem dentro da política, à vossa maneira, com os vossos princípios, com os vossos valores, com a vossa generosidade, com a vossa energia, com os vossos sonhos. Nós precisamos de voltar a sonhar”, pediu o chefe de Estado num final de tarde de calor em Lisboa.
Ao longo da tarde, passeando pelos jardins do Palácio de Belém, Seguro foi entretendo conversa com jovens e menos jovens, tirou fotografias com quem lhe pediu, ao mesmo tempo que em pano de fundo se ouvia música e poesia declamada pelos convidados para a festa.
“Mudar muito no nosso país é ter um Estado eficiente e uma economia competitiva”, defendeu Seguro, este sábado, após uma semana em que a reforma laboral ficou mais uma vez congelada e sujeita a uma derradeira ronda de negociações para daqui a 15 dias.
Implicitamente, o Presidente volta a pedir mudanças no mercado laboral numa altura em que a UGT, os patrões e o Governo se mantêm distantes de um acordo. “Portugal é um país ótimo para viver, mas precisa de fazer muito para ser também um país ótimo para trabalhar”, avisa Seguro.
Seguro não é Marcelo Rebelo de Sousa, é menos exuberante do que o seu antecessor, não há cumprimentos histriónicos, mas tal como o anterior Presidente da República está permanentemente com o radar ligado e sabe que há jornalistas por perto.
No Palácio de Belém, que abriu ao público durante a tarde deste sábado para concertos, poesia e passeios, Seguro foi tirando fotografias com jovens e menos jovens e, pelo meio, cantou animadamente a canção-senha do 25 de abril “E depois do adeus” que Paulo de Carvalho e o filho, Agir, cantaram no pequeno concerto a céu aberto no jardim da Cascata.
Não houve propriamente selfies, a marca de água de Marcelo, mas sucederam-se fotografias com gente anónima que quis ver e falar com o Presidente que, por exemplo, ficou algo constrangido quando um rapaz, acompanhado pela mãe, lhe surgiu à frente de t-shirt vestida com o símbolo do PCP e com um boné do Benfica na cabeça. Tal como na campanha eleitoral, Seguro continua a querer evitar rótulos partidários.
O Presidente da República foi falando baixinho com este e aquele anónimo, por vezes, prolongando um aperto de mão enquanto entabulava conversa e sempre acompanhado de perto pela mulher, Margarida Maldonado Freitas, que manteve durante todo o dia um vestido vermelho flamejante, da mesma cor dos cravos que aqui e ali se viam nos jardins do Palácio.
Uma imagem que contrastou, por exemplo, com o vestido totalmente negro de Carla Montenegro, mulher do primeiro-ministro, Luís Montenegro, com quem a farmacêutica partilhou a galeria presidencial no hemiciclo do Parlamento durante a sessão solene matinal.
Seguro manteve sempre dois cravinhos vermelhos na lapela, que passaram a ser apenas um quando um deles murchou durante a passeata pelos jardins de Belém e que foi discretamente retirado pela mulher Margarida, que se tem mostrado um verdadeiro pivot nos bastidores do Presidente.