Militantes ligados à Al-Qaeda reivindicam ofensiva contra bases do exército do Mali

Militantes ligados à Al-Qaeda reivindicam ofensiva contra bases do exército do Mali

  • 25/04/2026 17:11
  • Redação

Ataques em larga escala contra bases do exército do Mali foram reivindicados por grupos armados ligados à Al-Qaeda e por rebeldes tuaregues, numa das ofensivas mais significativas dos últimos anos contra o regime militar.

Num comunicado, o exército malinês garantiu ter eliminado “várias centenas de atacantes” e afirmou que conseguiu “repelir os assaltos”, acrescentando que decorrem operações de grande envergadura em Bamaco, Kati e noutras regiões do país.

A organização Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM) assumiu a autoria dos ataques, indicando que atingiram alvos em Kati, no aeroporto da capital e em cidades do norte como Mopti, Sévaré e Gao. O grupo afirmou ainda que Kidal foi “tomada” numa ação conjunta com a Frente de Libertação de Azawad (FLA).

Do lado dos rebeldes tuaregues, um porta-voz declarou que as suas forças conseguiram “assumir o controlo de posições em Gao e de um dos campos militares em Kidal”. Estas alegações não puderam, contudo, ser confirmadas de forma independente.

Para analistas, ouvidos pela Reuters, trata-se de uma ofensiva sem precedentes recentes. “Este parece ser o maior ataque coordenado dos últimos anos”, afirmou Ulf Laessing, especialista para o Sahel.

A situação levou várias representações diplomáticas a emitir alertas. A embaixada dos Estados Unidos aconselhou os cidadãos a permanecerem em locais seguros, enquanto o Reino Unido desaconselhou viagens para o Mali. O aeroporto de Bamaco foi encerrado, com voos cancelados ou desviados.

Testemunhas relataram explosões e tiroteios intensos nas primeiras horas da manhã, sobretudo junto à base militar de Kati, considerada estratégica. Houve também relatos de destruição, incluindo a alegada residência do ministro da Defesa.

Segundo um analista regional, os alvos escolhidos mostram um claro simbolismo: “Kati e Bamaco estão no coração do regime”, enquanto Kidal representa um ponto-chave na narrativa governamental de controlo territorial.

Apesar de o exército ter garantido que a situação estava “sob controlo”, continuaram a ser ouvidos combates noutras zonas, como Gao, onde foi imposto um recolher obrigatório durante a noite.

Os acontecimentos poderão indicar uma nova escalada do conflito que assola o Mali desde 2012. O atual regime, liderado por Assimi Goita, chegou ao poder após golpes militares com a promessa de restaurar a segurança — um objetivo que continua por concretizar.

Num outro comunicado, o JNIM afirmou não ter visado forças russas presentes no país e manifestou abertura para uma “relação futura equilibrada e eficaz”. Entretanto, o Governo malinês acusou potências estrangeiras e países vizinhos de apoiarem grupos terroristas, sem, no entanto, identificar quais.

  • Fonte: Rádio Renascença
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