Hildegarda von Binguen inspira Pavilhão da Santa Sé em Veneza
- 27/04/2026 09:21
- Redação
“O ouvido é o olho da alma”, é o tema e conteúdo que inspiram o Pavilhão da Santa Sé, na próxima edição da Bienal de Veneza (9 de maio a 22 de novembro).
Apresentado pelo cardeal D. José Tolentino de Mendonça, o tema é inspirado pela figura de Santa Hildegarda von Binguen (1098-1179), religiosa mística do século XII, poeta, compositora e até cientista, que “possui uma voz fortemente contemporânea capaz de iluminar as questões e os caminhos do presente”, disse, na manhã de segunda-feira, o cardeal português, num encontro com jornalistas.
“Não deve ser surpresa que a Bienal dialogue com a figura de uma freira, pois todo o artista, mesmo o mais distante o horizonte religioso, assemelha-se a um monge na intensidade da sua busca interior. Numa época de aceleração que roça a imediação, voltar o olhar para uma figura aparentemente antiquada pode ser benéfico, conseguindo uma profundidade capaz de sugerir novas respostas de sabedoria”, sublinhou Tolentino.
O Prefeito do Dicastério para a Cultura e Educação, elogiou o método de Hildegarda de Bingen, “que acreditava em voltar a ligar os laços que unem as pessoas e as sociedades, e que sabia que a transformação do mundo envolve também uma evolução espiritual, em que as formas artísticas e científicas são participantes ativas”.
E acrescentou: “Por essa razão, Hildegarda foi freira e também compositora e cantora. Também por essa razão, ela aliou o estudo dos textos sagrados ao trabalho visual da pintura. Por essa razão, finalmente, foi uma mestra e pregadora profética e, ao mesmo tempo, especialista nas ciências da medicina e da biologia”.
Tolentino frisou ainda que o nosso tempo “precisa de novos mestres, e o perfil polifónico de Hildegarda pode ajudar-nos como antídoto para a exasperação das monotonias, inspirando-nos na gestação de novas visões” e também “precisa de profetas culturais, capazes de superar os becos sem saída da língua dominante e exprimir o que Hildegarda designou por ‘linguagem desconhecida’, ou seja, uma força imaginativa que estimula paradigmas sociais cada vez mais inclusivos e motiva práticas comunitárias e fraternas”.
Aos jornalistas, o cardeal português afirmou que o seu maior deseja é que esta aposta “sirva, como esperava o Papa Leão XIV, para unir as energias morais e espirituais do nosso tempo em torno do conceito de escuta, precisamente porque ‘o ouvido é o olho da alma’“, concluiu.