Chanceler alemão diz que EUA têm sido "humilhados": "Não têm qualquer tipo de estratégia para as negociações"

Chanceler alemão diz que EUA têm sido "humilhados": "Não têm qualquer tipo de estratégia para as negociações"

  • 27/04/2026 10:18
  • Redação

O chanceler alemão, Friedich Merz, considerou esta segunda-feira que a nação dos Estados Unidos está a ser "humilhada pela liderança do Irão", comparando a situação que se vive no Médio Oriente com a que já aconteceu no Afeganistão e no Iraque, e acrescentando que não vê uma estratégia de saída dos norte-americanos no conflito.

Em declarações durante a visita a uma escola em Marsberg, na região de onde é natural, Sauerland, Merz afirmou que Washington não esperava este tipo de resposta de Teerão.

"Os iranianos são claramente mais fortes do que o esperado e os norte-americanos claramente não têm qualquer tipo de estratégia convincente para as negociações. O problema com este tipo de conflitos é sempre o mesmo: não podes simplesmente entrar, tens depois de sair. E vimos isso da pior maneira no Afeganistão, durante 20 anos. E vimos isso no Iraque", exemplificou o chanceler alemão.

Merz acrescentou ainda que, neste momento, não vê "qualquer tipo de saída estratégica para os Estados Unidos": "especialmente porque os iranianos estão claramente a negociar de forma muito hábil — ou habilmente a não negociar."

O chanceler alemã falou também sobre o conflito entre Ucrânia e Rússia e o estado da candidatura ucraniana à União Europeia, sugerindo que Kiev poderá ter que conceder partes do seu território de maneira a entrar no bloco europeu.

"Em algum momento, a Ucrânia terá de assinar um acordo de cessar-fogo. E nesse momento, que se espera um tratado de paz com a Rússia, pode ser que parte do território ucraniano não seja mais ucraniano", indicou Merz aos alunos do Carolus-Magnus-Gymnasium em Marsberg.

Merz acrescentou ainda que, se "Zelenskiy quiser comunicar isso à sua própria população e ter a maioria a seu favor", terá que avançar com um referendo ao povo ucraniano.

O caminho da Ucrânia para aderir à União Europeu estava bloqueado até há pouco tempo pelo primeiro-ministro da Hungria, Viktor Órban, que perdeu as eeições no início deste mês para Peter Magyar.

Ainda assim, o chanceler alemão resfriou os ânimos do presidente ucraniano sobre a data para a possível adesão: "Zelensky teve a ideia de entrar na União Europeia a 1 de janeiro de 2027. Isso não vai funcionar. E mesmo a data de 1 de janeiro de 2028 não parece realista", considerou Merz.

  • Fonte: Rádio Renascença
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