Como eram as vítimas de Pompeia? IA revela cara de homem que morreu na erupção
- 28/04/2026 08:12
- Redação
Um homem corre, com a cabeça protegida, enquanto, atrás de si, o vulcão do Monte Vesúvio entra em erupção. Apesar de tudo ter acontecido há quase dois mil anos, desta vez a imagem não parece uma estátua de pedra — como as que se conhecem dos mortos de Pompeia. É totalmente realista, apenas possível com a ajuda de inteligência artificial. E é a primeira vez que o mundo vê a cara de uma vítima do Vesúvio.
Com base em vestígios arqueológicos encontrados junto à necrópole de Porta Stabia, no exterior das muralhas da antiga Pompeia, foi reconstruída a imagem de um homem que morreu durante a erupção do vulcão do Monte Vesúvio.
De acordo com os investigadores o homem, agora retratado, foi encontrado junto a um outro e ambos fugiam em direção à costa. A erupção do Monte Vesúvio que destruiu a cidade de Pompeia ocorreu no ano 79 d.C, ou seja, há 1947 anos, e deixou a cidade soterrada por metros de cinza.
"A descoberta ocorreu durante escavações recentes na área da necrópole de Porta Stabia, imediatamente fora das muralhas da antiga Pompeia. Os arqueólogos trouxeram à luz os restos de dois homens que tentaram fugir em direção à costa durante a erupção", descreve-se no comunicado.
Na imagem que agora foi divulgada, por cima da cabeça da vítima, foi colocado um almofariz — encontrado junto aos ossos do homem. Ali, ainda se encontrava uma lâmpada de óleo, um anel de ferro e 10 moedas de bronze. Os investigadores acreditam que o homem morreu na sequência da queda dos detritos do vulcão.
"Um deles, mais jovem, terá sido provavelmente atingido por uma corrente piroclástica — uma nuvem incandescente de cinzas e gases tóxicos — enquanto tentava afastar-se da cidade. O outro, mais velho, morreu algumas horas antes, sob uma intensa chuva de lapilli, tentando proteger a cabeça com um almofariz de terracota encontrado junto ao corpo, com evidentes sinais de fratura", continua o comunicado.
"Trazia ainda consigo uma lucerna de cerâmica, para se orientar em condições de fraca visibilidade, um pequeno anel de ferro no dedo mindinho da mão esquerda e dez moedas de bronze."
Segundo a mesma publicação, há registos antigos que dão nota de que muitos habitantes de Pompeia cobriram as cabeças com vários objetos para se protegerem dos detritos lançados pela erupção.
"A reconstrução diz respeito a um homem que morreu durante a erupção do Vesúvio, que destruiu a cidade no ano 79 d.C. em menos de 24 horas. Foi encontrado com um almofariz de terracota, que parece ter sido utilizado como proteção durante a queda de lapilli [fragmentos de rocha e lava expelidos durante erupções vulcânicas explosiva] e fragmentos vulcânicos. Este gesto remete para as descrições de Plínio, o Jovem, testemunha ocular que, numa carta, relata como as pessoas em fuga tentavam proteger-se do material eruptivo com objetos ou almofadas atadas à cabeça", lê-se.
Segundo a agência de notícias Reuters, que cita o diretor do Parque de Pompeia, "se bem utilizada, a inteligência artificial pode contribuir para uma renovação dos estudos clássicos, apresentando o mundo clássico de uma forma mais envolvente".
O modelo digital — um protótipo experimental — que propõe a reconstrução da vítima, foi gerado através de uma combinação de software de inteligência artificial e técnicas de edição de imagem, "com o objetivo de apresentar uma representação cientificamente fundamentada, mas acessível ao público".