"Não vou comentar o que não conheço": António Costa recusa comentar escutas da Operação Influencer

"Não vou comentar o que não conheço": António Costa recusa comentar escutas da Operação Influencer

  • 28/04/2026 08:11
  • Redação

"Fui ouvido há quase dois anos, a meu pedido. Desde aí não faço ideia do que aconteceu. Já requeri várias vezes o acesso ao processo. Por isso, ao contrário dos senhores (jornalistas) nunca tive acesso. Não vou comentar o que não conheço", disse aos jornalistas.

Nas escutas divulgadas pela TVI surgem uma conversa entre o então primeiro-ministro e Lacerda Machado a 24 de dezembro de 2022, precisamente sobre os negócios do lítio e do hidrogénio.

“Já sei que foste lá dar boas notícias ao Vítor", disse Costa, referindo-se a Vítor Escária, o seu então chefe de gabinete, a que Lacerda Machado responde: "O projeto está com uma dinâmica extraordinária e os americanos vão finalmente investir em Sines, de maneira que é uma coisa interessante, e eu achei que se justificava saberes disso e saberem disso, está bem?"

António Costa terá respondido: "É bom que eles se entusiasmem, porque o ambiente aqui na Europa é muito diversificado em relação aos americanos."

Noutra conversa, em 2021, João Galamba, o então secretário de Estado da Energia, terá trocado mensagens com a sua chefe de gabinete, Eugénia Correia, sobre as negociações: "Ó pá, entrei com um metro e setenta e nove na reunião e saí com três metros e vinte. Tu estás a ver o que é um gajo que vai investir três ponto cinco mil milhões de euros?"

Na mesma conversa, Galamba comenta que "um dos advogados deste megaprojeto é o grande amigo do primeiro-ministro. Ou seja, como ele está nas reuniões e vê o que a nossa equipa está a fazer pelo projeto, ele conta ao PM".

Ao todo, o antigo primeiro-ministro foi ouvido por 22 vezes em conversas com suspeitos da Operação Influencer, entre 2020 e 2022. No entanto, estas escutas aconteceram sem o conhecimento de tribunais superiores, tendo chegado ao Supremo Tribunal de Justiça em 2025, não podendo ser usadas contra António Costa em tribunal.

No final do ano passado, o Supremo Tribunal de Justiça e o Tribunal Central de Instrução Criminal declararam não ter competência para validar essas gravações, porque chegaram fora de prazo e já depois de António Costa ter deixado de ser primeiro-ministro.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: