Farmácias da Área Metropolitana de Lisboa iniciam rastreios ao VIH e hepatites
- 28/04/2026 11:09
- Redação
Mais de 50 farmácias comunitárias da Área Metropolitana de Lisboa vão fazer rastreios rápidos e gratuitos ao VIH, hepatite B e hepatite C para tentar reduzir os casos de diagnóstico tardio em Portugal, foi esta terça-feira anunciado.
Segundo um comunicado, a Plataforma Saúde em Diálogo e o Programa FOCUS, em parceria com a Associação Nacional das Farmácias (ANF), estão a implementar este projeto em Portugal, que começou a decorrer em farmácias comunitárias aderentes nos municípios da Amadora, Sintra, Odivelas e Loures.
"Esta iniciativa surge num contexto em que Portugal continua a apresentar valores acima da média europeia no que diz respeito ao VIH e às hepatites, com particular incidência de diagnóstico tardio. [...] Nesta fase inicial, o programa conta com 58 farmácias aderentes, cujas equipas receberam formação específica para a realização destes testes", explicou à Lusa fonte da plataforma.
A campanha "Saiba de si" destina-se a todas as pessoas com mais de 18 anos, sendo a participação "voluntária, confidencial e pode ser realizada de forma anónima", lê-se no comunicado.
De acordo com a nota, colaboram neste projeto "associações de base comunitária com experiência no terreno" que, em caso de teste positivo, podem prestar apoio ao utente "na sua jornada no Serviço Nacional de Saúde e garantir a integração efetiva da pessoa no circuito hospitalar para confirmação diagnóstica e início atempado de cuidados".
Citado no comunicado, o presidente da Plataforma Saúde em Diálogo, Jaime Melancia, enalteceu o trabalho desenvolvido pelas farmácias, afirmando que, "pela relação de confiança que mantêm com as comunidades, são um ponto-chave para chegar a pessoas que de outro modo poderiam não realizar estes rastreios".
"Ao mesmo tempo, a integração das associações de base comunitária, através de profissionais dedicados (...) assegura que cada pessoa com resultado reativo referenciada é efetivamente acompanhada e integrada no circuito hospitalar para confirmação diagnóstica e início atempado de cuidados", acrescentou.
No comunicado, o diretor internacional do Programa FOCUS em Portugal e Espanha, José Luis González, destacou a relevância do "compromisso contínuo com a eliminação das infeções por VIH e hepatites virais como ameaças à saúde pública".
Por seu lado, a presidente da Associação Nacional das Farmácias, Ema Paulino, explicou que as farmácias encontravam-se numa posição privilegiada para contribuir ativamente para a saúde pública, pela experiência, proximidade e confiança na relação com as comunidades. .
"Este contexto é essencial para ultrapassar barreiras associadas ao estigma que ainda envolve estas infeções, garantindo um ambiente seguro e de confiança ao longo de todo o processo", disse.
De acordo com o comunicado, entre 1983 e 2024, foram diagnosticados mais de 66 mil casos de infeção por vírus da imunodeficiência humana (VIH), dos quais cerca de 24 mil evoluíram para SIDA. .
"Embora se tenha verificado uma redução nos novos diagnósticos na última década, o país mantém valores acima da média europeia, com particular incidência de diagnóstico tardio", lê-se.