Europa precisa "nervos de aço" para lidar com EUA, diz Costa
- 28/04/2026 14:41
- Redação
Apesar de “amigos, aliados e parceiros” da União Europeia, António Costa reconhece que são precisos “nervos de aço” para se relacionar com os Estados Unidos.
“A outra parte do contributo é termos nervos de aço”, apontou, esta terça-feira, no Porto, o presidente do Conselho Europeu, reconhecendo que “uma das vantagens do processo de decisão europeia é que, nem a presidente [Ursula] von der Leyen, nem eu, assinamos ordens executivas e, portanto, isso permite, que possamos prosseguir esta relação com a tranquilidade necessária para preservar o essencial desta relação transatlântica”.
Já sobre uma eventual saída norte-americana da NATO, o presidente do Conselho Europeu admite que trata de uma hipótese que não deve ser desconsiderada.
“Não podemos ignorar aquilo que são as posições oficiais dos Estados Unidos”, lembrando que “quando é publicada a Estratégia Nacional de Segurança, percebemos que não estamos só a falar de um discurso de um vice-presidente americano numa sua visita de passagem à Europa”. “Estamos a ler um documento que é a doutrina oficial dos Estados Unidos e temos que levar a sério”, alertou.
Falando aos alunos da Universidade Católica, António Costa admitiu o erro que foi a desvalorização “da visão imperialista russa”, alertando de que há uma lição a aprender.
“Acho que agora devemos ficar vacinados e aqueles que são mais jovens perceberem que há constantes, não sei se é a geografia, se é a cultura, se é a história, que nos colocam nas relações internacionais e que não vale a pena acreditarmos que é só o senhor Putin que é assim", porque , explicou, "antes do senhor Putin, pelo menos desde a Catarina Grande, que esta vocação se tem manifestado”.
Durante o debate na Universidade Católica no Porto, o ex-primeiro-ministro voltou a defender o investimento da Europa na defesa como forma de “evitar a guerra e fomentar a paz”.
A lógica da Europa não é uma corrida armamentista, tendo em vista atacar quem quer que seja”, especificou. “A Europa não tem nenhum plano de atacar ninguém. Tem um plano, ou melhor, precisa de um plano, é que ninguém a ataque e para isso temos de estar preparados para não sermos atacados”, rematou
O líder europeu falava no Porto, a pouco mais de um mês do próximo Conselho Europeu que decorre em junho, onde as relações com a China vão estar em cima da mesa.
“É fundamental que a China garanta que temos uma competição que é justa, que acabam os mecanismos sobre produção, que acabam os mecanismos de desvio para a Europa da produção que tem estado a ser desviada de outros mercados e conseguimos reequilibrar a nossa relação comercial”, disse António Costa.
“Isso é absolutamente essencial porque a China é um parceiro muito importante na agenda europeia”, finalizou.