"É inevitável" aumentar preço dos voos ou reduzir rotas se crise em Ormuz continuar
- 28/04/2026 15:30
- Redação
O responsável admitiu que no outono, se não existir até lá uma saída para esta crise, algumas companhias aéreas poderão ter de limitar a oferta, nas rotas menos lucrativas.
António Moura Portugal desconfia ainda que o preço das passagens aéreas poderá sofrer um agravamento – mesmo produzindo "jet fuel" (combustível de aviação, em português).
"Não estamos a salvo, nem a Península Ibérica ao todo. Não podemos esquecer também que temos uma situação geográfica que não é para nós muito apelativa."
Porém, o diretor executivo da RENA garantiu que, para já, a percentagem de voos cancelados em toda na Europa por falta de "jet fuel" não chega a 1%.
Confirma que já existem voos cancelados, na Europa, por causa da escassez de "jet fuel"? A torneira do petróleo continua fechada em Ormuz...
Confirmo que tenho visto noticiados alguns cancelamentos, sobretudo fora de Portugal. Agora, o número de cancelamentos que eu tenho visto, postos em perspetiva, são mais ajustamentos do que cancelamentos em massa. Andam na casa dos 0,5%, não chegam a 1% dos voos totais das companhias que os anunciaram.
Mas isso também está a acontecer com as transportadoras aéreas que operam em Portugal?
Não vi ainda nenhuma transportadora que opere em Portugal a anunciar cancelamentos, nem a anunciar nenhum tipo de redução de nenhuma ordem. Admito que o possam vir a fazer num cenário mais à frente, em que porventura se possa já começar a falar em alguma escassez no abastecimento de "jet fuel".
Quando diz mais à frente, diz para lá do Verão? Ou poderá vir a afetar também as viagens de Verão?
Neste momento, a expectativa que temos – e aquilo que tem sido transmitido – é que a operação de verão está segura com as reservas de "jet fuel" que existem.
Depois do Verão se verá, em função daquilo que for a evolução da guerra no Médio Oriente e o impacto que tenha nas carreiras de abastecimento, se haverá, ou não, a necessidade de tomar medidas um pouco mais limitativas. Esperemos que não, mas se isso acontecer, naturalmente que as companhias aéreas tudo farão para limitar esse impacto.
Cada companhia aérea poderá tomar a sua decisão e mesmo dentro de cada companhia poderão acontecer os dois níveis de decisão.
Ou poderá haver um encarecimento do preço por via do encarecimento também do "jet fuel" ou uma redução de rotas que porventura possam não ser as mais lucrativas ou rotas onde possa haver uma alternativa por via rodoviária ou ferroviária.
Mas isso é inevitável caso esta situação em Ormuz, nomeadamente, se mantenha durante muito mais tempo?
Mas não produzimos cá em Portugal "jet fuel"? O nosso abastecimento de crude não é proveniente de mercados diversificados, por exemplo, do Brasil? Não temos também reservas? Ou seja, apesar de tudo isto tudo não estamos a salvo?
Não, não estamos a salvo. Podemos estar menos expostos do que outras latitudes e do que outros países, mas ninguém está a salvo de um impacto.
No caso concreto da Península Ibérica, seremos dos mercados menos afetados dentro daquilo que é a realidade europeia. Mas não nos podemos esquecer também que temos uma situação geográfica que não é para nós muito apelativa.
Estamos nesta ponta da Europa e dependemos muito da conectividade aérea, ao contrário de outros países que estão no centro da Europa e que podem recorrer à ferrovia ou à rodovia.
Resumindo e concluindo, para lá do verão, se esta crise se mantiver, vêm-lhe problemas para o setor aéreo também em Portugal?