Rei Carlos III espera "com todo o coração" que aliança com os EUA continue
- 28/04/2026 19:24
- Redação
Carlos III é apenas o segundo monarca britânico a dirigir-se a uma sessão conjunta do Congresso.
A sua mãe, Isabel II, fez um discurso semelhante em 1991, destacando os laços históricos entre os dois países e a importância dos seus valores democráticos.
"Os desafios que enfrentamos são demasiado grandes para que qualquer nação os enfrente sozinha", afirmou Carlos III, instando ambos os países a defenderem os seus valores comuns e a resistirem a apelos que conduzam a um recuo "cada vez maior para o isolacionismo".
Na presença do vice-presidente norte-americano, JD Vance, e de outros altos dirigentes da administração, Carlos III disse que reza "com todo o coração" para que esta aliança prossiga, juntamente com os outros parceiros da Europa, na Commonwealth e em todo o mundo, e que ignore as vozes que incitam os dois países "a um isolacionismo cada vez maior".
Citou também o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, com o qual Trump tem mantido uma tensa relação nas últimas semanas devido à guerra no Irão, quando falou de uma "aliança indispensável".
O monarca instou os representantes eleitos norte-americanos a demonstrarem uma "determinação inabalável" na defesa da Ucrânia contra a invasão russa e na busca de uma "paz justa e duradoura", após uma viragem no apoio de Washington a Kiev, no seguimento do regresso de Trump, em janeiro do ano passado, à Casa Branca.
Após uma ovação de pé, as suas primeiras palavras no edifício do Capitólio (sede do Congresso) foram de condenação à violência política que tem atingido os Estados Unidos (EUA).
"Deixem-me dizer com uma firmeza inabalável: estes atos de violência nunca terão sucesso", defendeu a propósito do incidente que levou à retirada de Donald Trump, de JD Vance e da primeira-dama do local onde se encontravam também outros governantes norte-americanos.
O suspeito foi detido após se escutarem tiros na zona de controlo de segurança do jantar, realizado no Hotel Hilton Washington, e foi na segunda-feira formalmente acusado de tentativa de homicídio do Presidente norte-americano.
Carlos III, conhecido pelo seu fervor ecológico, fez ainda um apelo para a proteção ambiental perante os senadores e congressistas.
Apesar de também estar a ser acusado por envolvimento numa rede sexual de abuso de menores organizada pelo falecido pedófilo norte-americano, Andrew Mountbatten-Windsor foi detido, em meados de fevereiro, por ter partilhado informações confidenciais do governo britânico ao falecido magnata.
"Acho que é uma vergonha e é muito mau para a família real. É muito, muito triste", comentou Trump com os jornalistas na altura.
“Pensei que o rei devia isso às vítimas, tendo em conta as graves alegações de abuso envolvendo o seu irmão… Infelizmente, recusou esse pedido”, disse um representante coautor da Lei de Transparência dos Ficheiros Epstein esta terça-feira, em entrevista à agência de comunicação Reuters.
Antes da sessão conjunta no Capitólio, Donald Trump, um grande admirador de eventos da realeza, recebeu na manhã de terça-feira Carlos III e a Rainha Camila com uma pompa invulgar de militares em uniforme de gala, uma banda de música, uma salva de 21 tiros e um sobrevoo de caças.
"Desde que conquistámos a nossa independência, há vários séculos, os americanos não têm amigos mais próximos do que os britânicos", declarou o líder da Casa Branca, acrescentando que os dois países gozam de uma "relação especial", da qual espera que "assim seja sempre".
Este ano comemoram-se os 250 anos da Declaração de Independência dos Estados Unidos, que marcou a rutura entre as colónias britânicas e a coroa.
A visita do monarca é marcada por atritos entre Washington e Londres, sobretudo devido às críticas de Trump ao Governo britânico por não se querer envolver militarmente na guerra com o Irão e na reabertura do estreito de Ormuz, bloqueado parcialmente pela República Islâmica.
Na quarta-feira, o casal real tem viagem marcada para Nova Iorque, onde é esperada uma visita ao memorial dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.