Professores pagos para adiar reforma pertencem a grupos onde não faltam docentes
- 29/04/2026 05:35
- Redação
Há professores que aceitaram 750 euros para adiar a reforma, mas pertencem a grupos de recrutamento onde não há falta de docentes e estão colocados em escolas que não estão sinalizadas como carenciadas.
Cristina Mota exempifica: "Em Setúbal, um professor que adiou a reforma, para além de ganhar os mais de dois mil euros do seu vencimento, está a ganhar mais 750 euros para lecionar 14 horas (os professores no topo da carreira têm redução de horário), quando podia estar um jovem a dar os 22 tempos, que está na lista de não colocados e que ficaria muito mais barato. Esse dinheiro poderia ser direcionado para outras questões".
Para esta representante da Missão Escola Pública, a medida do Governo é "contraproducente".
A porta-voz alerta ainda para o facto da falta de professores já não estar limitada à região da Grande Lisboa, Alentejo e Algarve. Neste momento, 36% das escolas do centro do país indicam que tiveram, pelo menos, um horário em falta durante todo o primeiro período.
"São dados que mostram que o problema já se está a alastrar. Lembramos que com a agravante também relativamente ao primeiro ciclo onde tivemos dezenas de turmas que não tiveram professor durante todo o primeiro período”, acrescenta Cristina Mota.
Conclusões do movimento Missão Escola Pública que vai esta quarta-feira ao Parlamento apresentar estes dados e dizer o que correu mal no primeiro período de aulas.