“Alinhar com ditaduras é um grande erro”, defende Rajoy
- 29/04/2026 07:17
- Redação
O antigo primeiro-ministro espanhol Marino Rajoy considera que “alinhar com ditaduras é um grande erro” e diz que, do ponto de vista geopolítico, “existem ainda dois blocos, embora de uma forma algo distorcida”.
“Um é composto por democracias, economias de mercado e políticas sociais. Este bloco é constituído principalmente pelos Estados Unidos, Europa e alguns outros países. E há um outro bloco, sem democracia, com pouca proteção social e, em alguns casos, com capitalismo agressivo. Este inclui a China, a Rússia e todos os países que o rodeiam”, disse o antigo governante, que, esta quarta-feira, participou no Foro La Toja, na Fundação Calouste Gulbenkian.
Rajoy, que participou num painel com o antigo vice-primeiro-ministro português Paulo Portas, afirmou, ainda, que a Europa não pode permitir que a Rússia saia “impune na questão da Ucrânia”.
“Não podemos. Somos democracias e o nosso objetivo é fortalecer os princípios democráticos, enquanto o objetivo do Sr. Putin é simplesmente regressar a uma grande Rússia”, defendeu, acrescentando, ainda, que a Europa precisa de uma política externa e de segurança comum.
“Só assim seremos verdadeiramente relevantes no mundo. E, considerando o que Putin está a fazer e o que está a acontecer nos Estados Unidos, acredito que este é um objetivo crucial”, sublinhou o antigo primeiro-ministro espanhol (no cargo entre 2011 e 2018).
Na abertura da conferência sobre “a relação transatlântica e o futuro da Europa”, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou que estamos numa “nova era geopolítica”.
“Em 2024 disse que vivíamos um tempo de um mundo em mudança. Em 2025 disse que essa mudança tinha acelerado. Este ano, 2026, verifico algo de mais drástico. A mudança atingiu uma velocidade vertiginosa e parece ser mesmo uma mudança de era, uma mudança de tempo, inaugurando uma nova era geopolítica, um novo tempo geopolítico”, disse.
A propósito das relações transatlânticas, o ministro lembrou que estas não se limitam às relações de Portugal com os Estados Unidos. e deixou alguns exemplos.
“É preciso olhar para a América do Central e o México, para a América do Sul, para o Sahel, para o Golfo da Guiné e para toda a costa de Angola, Namíbia e África do Sul”, disse, destacando ainda o recente acordo entre a União Europeia e o Mercosul e abordando as relações de Portugal e Espanha com a Venezuela.
“Portugal e Espanha viveram processos de transição constitucional (…) com avanços e recuos (…) que, em ambos os casos, tiveram um desfecho positivo que criou democracias sólidas e que foi capaz de promover a reconciliação nacional. É algo similar que se espera deste momento de transição na Venezuela para que possamos também aqui restabelecer o vínculo atlântico”, afirmou.