Papa pede futuro digno para África e agradece a riqueza inestimável da sua fé

Papa pede futuro digno para África e agradece a riqueza inestimável da sua fé

  • 29/04/2026 07:53
  • Redação

“Desde o início do meu pontificado que pensava numa viagem a África”, revelou o Papa esta quarta-feira, na Praça de São Pedro. “Agradeço ao Senhor que me permitiu realizá-la, como Pastor, para encontrar e encorajar o povo de Deus; e também vivê-la como uma mensagem de paz num momento histórico marcado por guerras e por graves e frequentes violações do direito internacional”.

Leão XIV dedicou toda a Audiência Geral desta quarta-feira à recente viagem apostólica que o levou até à Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.

“A Providência quis que a primeira paragem fosse precisamente o país onde se encontram os lugares de Santo Agostinho, a Argélia. Assim, vi-me, por um lado, a partir das raízes da minha identidade espiritual e, por outro, a atravessar e a fortalecer pontes muito importantes para o mundo e para a Igreja de hoje: a ponte para a era fecunda dos Padres da Igreja; a ponte para o mundo islâmico; a ponte para o continente africano”, sublinhou.

O Papa agradeceu o acolhimento e cordialidade com que foi recebido neste país islâmico, onde os cristãos são apenas 0,02%. “Pudemos vivenciar em primeira mão e mostrar ao mundo que é possível conviver como irmãos e irmãs, mesmo de religiões diferentes, quando nos reconhecemos como filhos do mesmo Pai misericordioso”, disse.

Nos Camarões, país bilingue (de língua francesa e inglesa), conhecido como “África em miniatura”, devido à variedade e à riqueza da sua natureza e dos seus recursos, a presença do Papa permitiu ”reforçar o apelo para trabalhar em conjunto pela reconciliação e pela paz, porque este país também está, infelizmente, marcado por tensões e violência”.

Leão XIV recordou os incentivos à paz que lançou em Bamenda, região anglófona onde movimentos separatistas fizeram três dias de cessar-fogo para permitir a presença do Papa e dos fiéis naquela zona.

O Santo Padre também destacou que as grandes necessidades de todo o continente africano se encontram nos Camarões: “Uma distribuição equitativa da riqueza; dar espaço aos jovens, ultrapassando a corrupção endémica; e promover o desenvolvimento integral e sustentável, combatendo as diversas formas de neocolonialismo com uma cooperação internacional visionária.”

“Com uma tradição cristã plurissecular, ligada à colonização portuguesa, tal como muitos países africanos, após a conquista da independência, Angola atravessou um período turbulento, que no seu caso foi marcado por uma longa guerra interna”, sublinhou o Santo Padre. No entanto, ao longo da história, “Deus guiou e purificou a Igreja, convertendo-a cada vez mais ao serviço do Evangelho, do progresso humano, da reconciliação e da paz. Uma Igreja livre para um povo livre!”

O pontífice referiu-se ao Santuário Mariano de Mama Muxima, onde sentiu “o pulsar do coração do povo angolano”.

Elogiou, nos diversos encontros, a alegria tantos religiosos e religiosas de todas as idades, os catequistas que se dedicam inteiramente ao bem das suas comunidades, os rostos dos idosos, marcados pelo trabalho e pelo sofrimento, e transparentes à alegria do Evangelho. “Vi mulheres e homens a dançar ao ritmo de cânticos de louvor ao Senhor ressuscitado, alicerce de uma esperança que resiste às desilusões provocadas pelas ideologias e pelas vãs promessas dos poderosos”, recordou.

Leão XIV insistiu, no entanto, que a esperança “exige um compromisso concreto, cabendo à Igreja, através do testemunho e da corajosa proclamação da Palavra de Deus, reconhecer os direitos de todos e promover o seu respeito efetivo”. E assegurou, junto das autoridades, “a disponibilidade da Igreja Católica para continuar a dar o seu contributo, nomeadamente nas áreas da saúde e da educação”.

Na Guiné Equatorial, Leão XIV afirmou que nunca esquecerá o que se passou na prisão de Bata: “Os reclusos cantaram, a plenos pulmões, um hino de ação de graças a Deus e ao Papa, pedindo orações ‘pelos seus pecados e pela sua liberdade’. Eu nunca tinha visto nada igual. E depois rezaram o Pai Nosso comigo debaixo de uma chuva torrencial. Um verdadeiro sinal do Reino de Deus!”

A alegria dos fiéis durante as celebrações revelou também “testemunhos comoventes de jovens que encontraram no Evangelho o caminho para um crescimento livre e responsável”.

Por fim, o Papa reconheceu que esta longa viagem foi “uma oportunidade para os povos africanos fazerem ouvir as suas vozes, expressarem a alegria de serem povo de Deus e a sua esperança num futuro melhor, um futuro digno para cada um de nós e para todos”. E agradeceu a Deus “o que estes povos deram a mim: uma riqueza inestimável para o meu coração e para o meu ministério”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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