Ministra da Defesa de Espanha: "Não aceitamos lições de ninguém sobre a NATO"
- 29/04/2026 12:45
- Redação
A ministra da Defesa de Espanha respeita a posição portuguesa sobre a utilização da Base das Lajes pelos EUA, mas pede respeito pela posição de Madrid.
De passagem por Lisboa, Margarita Robles reafirma que Espanha não autoriza a passagem de aeronaves norte-americanas pelas bases espanholas e só a diplomacia serve para conquistar a paz.
"Cada país tem a sua posição, cada país merece respeito. Respeito sempre a posição de todos os países, mas quero que a posição espanhola também seja respeitada. O importante é que tanto Portugal como Espanha querem a paz, estão a trabalhar pela paz. Acreditamos que apenas os canais diplomáticos são os que podem ser utilizados", afirmou a governante em declarações aos jornalistas à margem do encontro Foro La Toja, esta quarta-feira, em Lisboa.
Robles lembrou que a recusa na utilização das bases baseia-se na existência de uma guerra sem cobertura no Direito internacional.
Questionada sobre a cláusula de escape que permite a Espanha não cumprir o objetivo de 5% de gastos em Defesa, acordados na última cimeira da NATO, a titular espanhola da pasta da Defesa recusa a ideia de que Madrid não está comprometida com a Aliança Atlântica.
"Esta cláusula de escape serve para dizer que vamos cumprir os nosso compromissos com firmeza. Somos aliados de confiança, sérios e responsáveis. Investir na defesa é investir na paz, na segurança, na liberdade e também em postos de trabalho", argumenta Margarita Robles, que defende "uma Europa que se sente reconhecida na defesa da Ucrânia".
Classificando a NATO como " imprescindível", a ministra espanhola da Defesa considera que a fasquia de 2% de despesa em defesa "é o que entendemos que a Espanha precisa neste momento para cumprir os seus compromissos com a Aliança Atlântica", reafirmando que a Espanha "não aceita lições de ninguém".
Minutos antes, no discurso de encerramento oficial do encontro do Foro La Toja, Margarita Robles deixou uma indireta aos Estados Unidos, ao afirmar a NATO como" uma aliança em que o valor do diálogo seja o mais importante e em que nenhum aliado menospreze outro aliado, em que todos os aliados respeitem os seus pares".